
O caso da passarada ocorreu quando eu morava em Curitiba com o Edimar - um corajoso amigo que dividiu o apê comigo por quatro anos. Talvez ele se lembre, e tente disfarçar um sorriso irônico, do dia em que eu levantei da cama de madrugada, com um gravador na mão, para pesquisar o porquê daquela algazarra dos passarinhos.
Outros casos se acumulam por toda a minha infeliz existência. O Luiz Paulo, outro corajoso amigo, teve que conviver com meus resmungões toda vez que dedilhava o teclado de seu computador. Madrugada alta, quitinete pequena, e eu rolando na cama para dormir. Em noites que ele resolvia virar trabalhando, das duas uma: ou me arrastava junto como um zumbi manso ou eu teria que pegar minhas cobertas e pedir asilo no apê dos vizinhos.

Mas o blog é sobre viagens e vamos nos centrar nelas. Para passar bem no ônibus, tem gente que se entope de Dramin, mas nem assim consegue fechar os olhos nas longas horas em terreno desconhecido e chacoalhante. Aliás, passar uma longa viagem dormindo sem problemas é coisa para seres escolhidos, gente que terá privilégios na seleção da espécie. E apesar de minha chatice com o barulho mais imperceptível, posso me considerar um privilegiado. Na maior parte das viagens, sigo meu sono sossegado.
Isso quando o frio não congela meus pés (tornando a gangrena uma hipótese plausível) ou o motorista resolve treinar para o Rally dos Sertões. Foi assim na viagem para Campinas do dia 21/04 (a oitava). Após a parada no Graal, o motorista optou por desviar de São Paulo, passando pela chamada "Serrinha". Ali, solavanco é regra e dizem que você pode fabricar um milk-shake, sentado na poltrona. Por mais que tente, não dá para dormir.
Nessa viagem cheguei a Campinas pregado. E, após 14h, ali no trecho de Americana, enfim consegui dormir um pouco. Estava tão cansado quando estacionamos na rodoviária de Campinas que cogitei encarar o motorista com os olhos inchados e cheios de súplica implorando: "Posso ficar matando um tempo aqui?"
Não deu. Peguei o ônibus metropolitano e fui balançando para Unicamp, sentado naquela parte levantada da roda e maldizendo mentalmente todas as pessoas felizes com seus assentos. Quando cheguei à universidade fui direto à Praça da Paz. Ali no banco duro de concreto fiz o mesmo que fizera em minha primeira ida para Campinas, quando tudo começou, na primeira aula do Labjor.
Dormi como um anjo!
3 comentários:
Nossa, vc fugiria correndo se morasse aqui em casa..
qaté 3h da manhã tec tec tec de computador, barulhos de gatos correndo, depois de 3h quando deito a cena é a seguinte..
o Natan dormindo as vezes em cima da minha barriga (com seus 7 quilos) e massageando minhas costelas, outras vezes com o corpo em cima do meu braço e fazendo minha barriga de travesseiro.
A Mel as vezes dorme do lado contrário ao Natan em cima do outro braço (que cena linda eu com ops dois braços esticados e cada um com um gato em cima). Outras vezes ela dorme em cima das minhas pernas.
A Monique, não deita, adora fazer um tour em cima de mim, passa a noite toda dando voltas e me pisoteando.. deve achar que sou uma montanha! Qdo ela cansa vai deitar embaixo da minha perna com a cabeça encostada no meu bumbum, esses dias não seu o que deu nela que inclusive me deu uma bela mordida, ahahahaha
Mas o mais engraçado foi essa semana.. Não sei o que aconteceu no meu sonho mas eu acordei com a cabeça deitada em cima da barriga grande do Natan, o fazendo de travesseiro e ele nem ai com isso ahahahaa
Viu como minhas noites são tranquilas?
Falar em dormida, vale lembrar a virada de madrugada no aeroporto de Campinas e as inúmeras dormidas na escada do Labjor.
Tem o vai-e-vem pelos ônibus. Frio, aperto e faladeira. Ou belíssimas noites bem dormidas, como a de Medianeira-Curitiba.
No avião, qualquer um dificilmente tem algumas boas horas de sono e não sou diferente. Mas na última viagem, me encaixei de tal maneira na poltrona apertado que até pude sonhar...
Putz, essa serrinha é dose mesmo. O pior é que se passa por ela depois de ter comido gororoba no Graal e o bucho se revira até fazer oito (8). Como não dá para dormir, ainda temos que encarar os precipícios que se exibem a 30 cm da roda do busão.
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