domingo, 25 de maio de 2008

RESPIRO: Papo de jornalista

O respiro desta vez ocorre em plena viagem. Estou em Curitiba, vim participar do 1º Monicontro, evento que ajudei a organizar (em breve comento sobre ele por aqui). Mas ainda antes de chegar na cidade fiz um rascunho que compartilho com vocês:

Quando voltou de cafezinho na mão o Jasper propôs outra teoria...

Quinta-feira, feriado de Corpus Christie. Estou de carona no carro do Romeu, um colega jornalista de Foz do Iguaçu, rumo a Curitiba. Apesar de o rascunho ser escrito em uma viagem esse post tem outro propósito: é mais um respiro.

Escrevo para resumir a cobertura do Fórum Global de Energias Renováveis, que aconteceu em Foz e me impediu de ir para Campinas esta semana. A cobertura do fórum foi intensa e boa parte dela fiz ao lado de meu chapa da Gazeta do Povo, o jornalista Fernando Jasper. Conheço o Jasper há tempos, fomos colegas de faculdade e somos grandes amigos. Sempre quando nos encontramos, portanto, surgem alguns papos cabeça dignos de nota.

Para começar, Jasper e eu ficamos intrigados com a qualidade da tradução simultânea. Está certo, não deve ser fácil traduzir para o português as inúmeras variações do inglês, os sotaques mais bizarros das mais de 50 nacionalidades do Fórum. Há de se relevar. Mas em algumas ocasiões os tradutores exageraram. Um deles, qual um dublador, interpretava as falas dos personagens. Outros sugeriram neologismos do nível de 'pretóleo' (petróleo), 'eugenia' (energia), 'indígena' (indiano) e, pasmem, 'Vale do Silicone' (Vale do Silício).

O vago conceito de mesa-redonda (cobrimos várias delas) também foi tema de nossas divagações. Primeiro que não houve os debates próprios de mesas-redondas; segundo que, como lembrou o Jasper apontando para a platéia lotada, "como vai caber toda essa gente em uma mesa-redonda?"

Outro questinamento surgiu quando uma participante de um país africano reclamou da falta dos "pobres da África" nos debates do fórum. Confesso que paramos por alguns minutos para tentar visualizar todos os pobres da África no salão principal do Hotel Bourbon. "Naquele canto se sentaria um criança barriguda com uma mosca pousando em seu olho aberto", disse eu, inspirado nas cenas típicas da televisão. "Imagine todos os famintos da África em uma mesa-redonda", colaborou o Jasper.

No coffe break lutamos contra as hordas de famintos. Viciado em café (como eu), o Jasper ficou monossilabando alguns ruídos de desaprovação diante de um cara que estava conversando parado em frente à garrafa térmica. Quando voltou de cafezinho na mão, o Jasper propôs outra teoria:

"Eu acho que esses caras de língua bizarra na verdade disfarçam. Eles fingem que conversam em uma língua que só eles entendem só para dizer 'não, que nós temos língua própria e não dependemos da língua da metrópole'."

"É verdade", concordei, "e quando não tem ninguém por perto, aposto que eles cochicham em inglês".

Paramos e refletimos sobre aquilo. Ao nosso redor etnias e nacionalidades variadas iam e viam. Depois de um breve silêncio, o Jasper disse que sempre que nos encontramos, promovemos conversas de elevado conteúdo.

Concordei com ele, e fomos juntos cobrir mais uma 'mesa-redonda'.

Um comentário:

Helena disse...

ha... já imaginei vocês dois no fórum rindo ao som de "vale do silicone"! hahahahaha