quinta-feira, 1 de maio de 2008

Criaturas bizarras

Adoro ir pra São Paulo. Gosto de parar na rede Graal e ver aqueles artesanatos de sempre (além de pagar espetaculares 3,90 por um salgado), gosto daquele clima da rodoviária do Tietê, das pessoas que circulam, da revistaria News, etc. O que me desagrada é a linha de ônibus Foz do Iguaçu-São Paulo. Digo o porquê.

Primeiro que os ônibus da Pluma são péssimos. Absurdo apresentarem ônibus tão ruins para viagens de 14h (teve uma vez, em uma viagem para Curitiba que começou uma goteira no ônibus, tivemos que parar e a reclamação foi geral, mas isso é outra história). Mas os maiores culpados são os passageiros. Vai parecer preconceito meu ou piti gratuito, mas certas criaturas realmente me tiram do sério.

Quem se lembra do início daquele filme Um dia de Fúria, com Michael Douglas, sabe do que estou falando. Ele no carro, a mosquinha em seu pescoço, a menininha lhe encarando, o cara buzinando, o calor, as crianças brincando no ônibus, a cara demoníaca do Garfield. O final vocês conhecem. Eu nunca saí por aí explodindo tudo, mas teve vez que me deu vontade. Voltamos no tempo.

Há alguns anos eu fazia uma viagem de Londrina para Medianeira e tivera o infortúnio de pegar um ônibus pinga-pinga, aqueles que param nos rincões mais improváveis. No finalzinho da viagem, depois de mil paradas, uma criança de estômago rebelde vomitou bem pertinho de mim. Aquela gosma líquida e fedida ficou dançando no chão do ônibus, me ameaçando. Encolhi as pernas na poltrona e enfiei a cara para fora da janela. Começou a chover...

As viagens para São Paulo (ainda) não tiveram vômitos e crianças, mas tem vários elementos que me irritam sobremaneira. A primeira ida para Sampa (a quinta das viagens para Campinas) foi surreal. Já na rodoviária de Medianeira um cara perguntou ao motorista se "dá tempo de ir ali comprar um salgado?".

E eu nem tinha entrado no ônibus.

Peguei uma poltrona lá no fundo. Passei por pessoas dormindo de boca aberta, senhores encolhidos, sentei e enfiei a cara no livro. Fiquei perto do banheiro, de onde horas depois surgiu um cheiro nauseante que se misturou ao cheiro de salgado gordurento.

Não passou muito tempo e uma gorda de camiseta curta começou a discursar: "Olha a gente tem que juntar dinheiro para a caixinha! Todo mundo tem que colaborar. Quer economizar agora, depois nos param e o prejuízo é bem maior".

Caixinha? Que caixinha?, me questionei. Mas voltei ao livro. A gorda veio andando e parou do meu lado pedindo o dinheiro. Na minha inocência eu disse que não sabia dessa tal caixinha e ela: "Você é muambeiro?". Eu: "não". Ela: "Então e é por isso". E voltou ao seu discurso.

Não conseguiram juntar os 300 reais da caixinha, mas por sorte (para eles) o ônibus não foi parado.

Mais bizarrice

Duas semanas depois (a sétima viagem para Campinas), novamente fiz uma paradinha em São Paulo (Star Wars e casamento, leiam no post anterior). Quando entrei no ônibus, de cara, tinha um maluco careca e sem camisa, sentado lah no fundo, sobre aquele frigobar onde ficam os copinhos d´água. Ele me mirava nos olhos. Fiquei sabendo depois que o cara era egresso da cadeia e estava querendo fazer pose de valentão.

Desta vez a minha poltrona era a primeira. Ajeitei minhas coisas e fui ao banheiro, quando vi um cara gordo falando no celular. Ele coçava a barriga, deixando a cueca aparecer. Pasmem, a cueca era do São Paulo FC!!

Aquele cara seria o incômodo da viagem. Ficou um bom tempo no celular conversando alto com um cara a quem ele chamava de "Contramão". Falava palavrões e tinha um tique - igual aqueles "mentira" ou "sei, sei" que todo mundo diz ao telefone, mas muito mais ridículo - que me irritava demais. Uma mulher pediu para ele parar de falar alto e ele deu o clássico infantil "a boca é minha, falo o que eu quiser".

Eu não conseguia me concentrar no livro. Por várias vezes visualizei a cena: eu me levantava calmamente, chegava até o são-paulino, tomava-lhe o celular e jogava pela janela, e arrebentava a cabeça do escroto no braço da poltrona. A tela mental era cada vez mais real, eu já estava fechando o livro, abrindo o cinto da poltrona e cerrando os punhos.

Mas aí o cara desligou o celular e me aquietei no meu canto.

5 comentários:

Leandro Pandolfo disse...

Murilo, você é phoda com PH.
São tantas histórias toscas que começo a ter dó de você. Hahahaha!!!

Abração.

Leandro Pandolfo disse...

Eu passo por nem 1% do que você conta aí e, mesmo assim, já fico super nervoso. Imagina só...

Murilo Alves Pereira disse...

Poxa Lê, viage comigo pra vc ver. Hehehhe. Abraço amigão.

Lielson disse...

"...uma criança de estômago rebelde vomitou bem pertinho de mim."

e teve a vez que um Everton rebelde-encachaçado vomitou no carro da Anne.

bons tempos...

Murilo Alves Pereira disse...

Bons tempos??? É que vc não estava no carro. Lembro como se fosse hoje, o Caneparo dizendo que viu a 'carninha saindo', a Anne pedindo para cantarmos uma música para esquecer o cheiro. O Jasper contou uma piada sobre o cotoco (um cara sem braços que disputava campeonato de natação...)

Um sufoco. Nossa, meu repertório com vômitos em viagens é vasto. Semana passada, o bebê da tia que pega a van para Foz do Iguaçu também vomitou. Obviamente respingou em minha mochila.

No mais, bom tê-lo aqui Zê. Abração.