sexta-feira, 2 de maio de 2008

Relógio, um inimigo

Por muito tempo fui conhecido como o cara mais impontual do mundo. Lutei contra essa fama, pois acho uma falta de educação deixar os outros esperando. E mudei, agora só jogo contra o relógio quando o único prejudicado for apenas eu. Mas tenho abusado. Muita gente diz que eu não levo a sério o tempo e meu histórico advoga contra mim. Bem, seguem alguns relatos.

Não me recordo quando a correria começou. Lembro que no primeiro vestibular para UFPR desci no ponto errado e tive que pegar uma carona salvadora para chegar no local de provas, apenas alguns minutos antes dos portões fecharem (minha mãe diz que reza até hoje para aquela família). No Enem, ano antes, a Comby do pai quebrara no meio da estrada e lá fui eu de carona para Foz do Iguaçu. Isso no século passado.

Em outra ocasião, eu estava tomando banho sossegado na casa dos Coppi, quando batem na porta: "Murilo, que horas é o seu ônibus?", perguntou a Mari. "Dez horas [da noite]", respondi desprocupado. "Aqui tá dizendo que o ônibus é as nove". Saí correndo do chuveiro, me enxugando pelo caminho. Joguei tudo na mala e o tio Ademir me levou para a rodoviária. Até hoje o sincronismo de sinais verdes na Almirante Tamandaré é história na família.

Também em Curitiba, já perdi ônibus para Campinas, tendo que pegar outro fazendo conexão em São Paulo. Em outra viagem, precisei peitar o ônibus para ele parar. Estava com um monte de malas e quando cheguei ele já havia saído. Atravessei duas avenidas e pulei na frente do ônibus. E ele parou.

Quem parou também foi outro ônibus quando eu estava fazendo uma viagem por Iporanga, no Vale do Ribeira de São Paulo. A Sueli no volante, o ônibus lançando poeira em nossa cara. Perseguição igual àquela feita em Campinas, com o Phillip e o Norito, atrás do Caprioli (leia post abaixo). A diferença é que nessa, nós alcançamos o ônibus. Quando entramos, a Tati e eu encontramos uma escurssão de evangélicos. Fomos cantando músicas religiosas o resto da viagem.

Atraso recente

Mas como esses rascunhos se voltam às viagens para Campinas, vale uma última história, que também faz parte da série de fascículos Método Fácil de se Perder Dinheiro. Foi na primeira das viagens para Campinas, uma sexta-feira. Chegara do trabalho e correra para uma lan house (o notebook estava comemorando aniversários no conserto). Tinha que resolver alguns pepinos, sugerir algumas pautas e, claro, comprar a passagem de avião (a volta).

Passei antes na rodoviária e prometi voltar depois com o dinheiro para comprar a passagem. Gastei um tempo na lan, fui ao Banco do Brasil e bingo! Qual é o código de meu cartão? Antes que me critique um aviso: o banco tinha mudado meu código e fazia tempo que não usava o cartão.

Fiquei puto. Consegui, no entanto, falar com um funcionário do banco que já estava fazendo planos de sexta-feira com a família pelo celular. O cara foi gente boa, cancelou meu código e eu pude sacar o dinheiro.

Corri para a rodoviária, mas precisava pegar o comprovante de pagamento do vôo na lan house e tive a idéia de comprar a passagem quando fosse embarcar. Fui para casa para me arrumar e ao chegar no quarto percebi que tinha deixado cair na rua todo os 120 reais da passagem!

Coloquei a mochila nas costas e fui correndo, suado, cansado e com os olhos voltados para o chão. Obviamente alguém mais feliz encontrara o dinheiro antes. Tive que sacar novamente o mesmo valor e voar para rodoviária. Comprei a última passagem, segundos antes de fechar o mapa do ônibus e de ele sair de fato.

Fedido e com 120 reais a menos no bolso eu fiz a minha primeira da série de viagens para Campinas.

2 comentários:

Andiara disse...

Nossa lendo seu relato ainda não sei dizer se vc é azarado ou sortudo ,muito bom olha não sabia do seu problema com o relógio .
Ah , vc ja assistiu Sorte no Amor ? vc me fez lembrar cenas do filme !!!!!!! Eu adorei.

Bjus

Lielson disse...

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