quarta-feira, 16 de julho de 2008

Sob as luzes vermelhas de Amsterdam

Desde o início da viagem, o Juttel e eu fizemos uma programação casada. Na Europa, a dupla ficou unida por quase toda a viagem. E ali em Amsterdam, após nos despedirmos do Enio e do Dave, começamos a fazer algo que faríamos em todas as cidades: andar. E muito.

Tínhamos tempo. O combinado era não dormir e sair no outro dia às 6h, rumo a Estocolmo. Conhecemos o centro e nos perdemos por algumas ruas, guiados por um mapa improvisado. Visávamos os museus Van Gogh e o Rijksmuseum. Entramos em uma ruela e chegamos a uma exposição em uma “rua fechada” – uns quadros gigantescos e muito bonitos.

Quadros gigantescos e um simpático tiãozão holandês para nos orientar

Mais adiante chegamos a um vilarejo fechado. Casinhas, florzinhas, pracinha, estátuas, igreja, uma árvore centenária. Parecia aquelas cidades abandonadas de jogos como Resident Evil. Um verdadeiro set cenográfico – para sair da vila, passamos por uma porta (surreal).


Vilarejo fechado: entramos e saimos por uma porta!

De volta ao centro da cidade continuamos a caminhar boquiabertos. Aquela arquitetura encantadora, carros, trens. Aos poucos nos acostumamos em andar em meio a tanta informação. Reparei na quantidade de bicicletas amarradas aqui e ali e muitas delas tombadas no chão. Era quase um chavão da cidade: bicicleta tombada. Outra característica, não só de Amsterdam mas de todas as cidades pelas quais passamos, todas estão em obras. Muitas obras. Dizia que a Europa é um canteiro de obras.

O amarelo de Van Gogh

Chegamos ao belíssimo Rijksmuseum, um museu de arte e história que possui uma coleção belíssima de vários artistas, dentre eles um tal Rembrandt, pintor local. O próprio museu é uma peça de arte; ficamos tentados a entrar e conhecer. Mas precisávamos fazer uma escolha. Ali pertinho estava o museu Van Gogh, outro holandês famoso, este pós-impressionista, diga-se. Optamos pelo tom amarelo de Van Gogh, mas não sem um aperto no coração.

Juttel dá uma última olhada parao Rijksmuseum. Preferimos o Van Gogh

Ver as obras de Vincent van Gogh de pertinho valeu a pena. Interessante as pinceladas ligeiras em cada um de seus auto-retratos, o tom amarelo (genialidade ou daltonismo?), a riqueza de cores de quadros como “O Quarto em Arles” e, claro, o belíssimo “Doze girassóis numa jarra”, diante do qual me demorei alguns minutos. Emocionante.

No Vondelpark, algumas horas de sono e uma tentativa frustrada de ler o cardápio

Dali seguimos para outro ponto turístico, o Vondelpark, conhecido por permitir o sexo em suas dependências a partir da meia-noite. O parque é muito bonito, cheio de fontes e lagos. Teve um maluco que se aventurou nadar no lago; e olha que o dia não estava lá tão quente. A despeito do sol, havia um ventinho que incomodava. Estendemos a bandeira do Brasil no gramado e ficamos sacando os caras tentando jogar bola. Acho que dormimos mais de hora sob aquele sol.

A viva España!

A próxima parada era comida e jogo de futebol. A Espanha iria enfrentar a Itália pelas quartas de final da Eurocopa. Nos enrolamos para escolher um lugar, mas encontramos um cantinho repleto de espanhóis. Na TV, antes do jogo, passava comentários sobre o campeonato e algumas propagandas bizarras. Diante dela, como espectadores, um monte de espanhóis alucinados. E Viva España! Jogo emocionante e sem gols, perdemos umas boas quatro horas fechados no bar, acompanhando tempo normal, prorrogação e pênaltis. No relógio, dez da noite passadas, mas ainda havia luz do sol. A Europa é estranha.

Torcida do lado de dentro e de fora do pub. E viva España!

E deu Espanha com defesas do goleiro Iker Casillas. Espanholada saiu festejar na rua, enquanto o Juttel e eu fomos comer um Burger King. Morrendo de fome, demos uma bicuda na idéia de se alimentar só de comida local. Queríamos alimento plastificado. E dá-lhe mordida.

As luzes

Já era noite e estávamos andando feito bestas. Chegamos em uma praça cheia de estátuas em tamanho real e ali perto em um barzinho brasileiro. Bandeira tupiniquim e tudo. Vimos os canais que cortam Amsterdam sob a luz noturna, os poucos pontos de agito. Domingo é foda. Encontramos alguns coffe shops, mas não entramos.

Maconha na vitrine. Não, não entramos nos Coffe Shops

Nosso foco era outro. Procurávamos o famoso Red Light Districit, o reduto onde o sexo é comercializado nas vitrines das lojas. Bizarro. As mulheres se oferecendo atrás de um vidro, fazendo caras e bocas. “Ela gostou de mim”, brinquei. Sorri nervoso, parecia um daqueles filmes futurísticos, em que o mais bizarro é cotidiano.

Das portas saiam rapazes com um brilho no olhar e expressão de satisfeito. E nelas entravam outros, ainda nervosos, sem saber o que fazer com as mãos. Vimos algumas portas se fechando, com o rapaz já sentado na cama. Profissionalismo total. Obviamente não fizemos fotografias. Ali, sexo é coisa séria.

Soneca no Schiphol

Voltamos de Amsterdã para o Schiphol e lá tivemos que esperar o vôo. Estava cansado, com o corpo doendo e cabeça em igual estado. Ensaiei alguns cochilos no banco enquanto o Juttel arrumava suas coisas. Na cabeça levei um boné “I amsterdam”, e a impressão de uma belíssima cidade, presa ao passado por sua arquitetura, mas ao futuro pelos seus recentes costumes.

Sono no aeroporto de Schiphol. Deu de Amsterdam

Costumes que beiram ao cômico e dá espaço às pilhérias, mas que mostram muito de uma cidade onde sexo e drogas passam longe de ser os principais problemas urbanos. Assim é Amsterdam.

Mas chega de Holanda, porque o vôo partiu. Dormimos durante todo o trecho perdendo o café da manhã, para desespero do Juttel. Acordaríamos em Arlanda, o aeroporto de Estocolmo, e eu receberia uma notícia bem desagradável. Para meu desespero.

Isso, no entanto, você acompanha em seguida.

Um comentário:

Renato Mahalo disse...

ahhhh isso é pior q novela!!! ter q esperar pelo proximo capitulo é cruel!!!!!!!