domingo, 22 de março de 2009

A barreira policial

A gente pensa que já viu de tudo nessa vida antes de começar uma viagem. Bem, eu nunca vira um barricada feita por policiais na rodovia. Na Argentina vi. O Chile ainda estava longe, bem longe. Mas antes de subir e descer os Andes, teríamos que enfrentar a barreira policial em Salta.

Espera. E havia uma barreira em nosso caminho

Era cedo quando levantei para pegar o ônibus. Bicho vacinado, acordei umas duas horas antes. Tomei banho e fiquei gastando tempo. O Diego e o Anatole e mais uma gringa recém-chegada também estavam acordados, tomando chá e jogando conversa fora.

Fiquei um tempo com eles e me despedi com um abraço apertado em meus amigos do El Andaluz. Boa parada em Salta, bons papos e amizades, mas era hora de partir. O Chile me esperava, e pelo andar da carruagem, teria que esperar um pouco mais.



“Há uma barreira policial na estrada. Nenhum ônibus entra, nenhum ônibus sai”, explicou o responsável pela companhia de ônibus Geminis. A rodoviária, vale citar, era um caos. Turistas e outras pessoas que apenas querem ir e vir superlotavam o terminal rodoviário. Fiquei sabendo que minhas amigas italianas tinham dormido no ônibus esperando a boa vontade dos policiais.

Na rodoviária, enquanto alguns andam e outros dormem

A reclamação da polizia era salário. Queriam 50% de aumento, não ganharam e fizeram bico. E nós tínhamos que perder um tempo mais Salta. Andei aqui, ali e também acolá, saquei algumas fotos e tomei um café de canudinho – esqueci que estava quente e dei uma boa tragada pelo canudo, arrancando um naco de pele do céu da boca.

Uns terceiros apenas esperam

Pela rodoviária as pessoas se esparramavam. Livros, MP3 e bate-papos predominavam entre os mais jovens. Outros já mais vividos apenas dormiam, ainda outros perguntavam e reclamavam. Eu só batia perna, impaciente.

Brecha na barreira

Mas então houve uma brecha meio surreal. Por uma hora os policiais iriam liberar a barreira para os ônibus passarem. Tentaríamos passar, se não desse, voltaríamos e a viagem continuaria só no outro dia.

Ônibus infileirados na rodoviária. Nome de pão

Na estrada, ônibus lotado e eu com uma serena alemã ao meu lado. Fone no ouvido e nem tcham para o que acontecia. E voltamos a parar. Quase uma hora na fila enquanto os ônibus passavam em dose homeopática. Tudo era bagunça: o canteiro central da rodovia já não existia mais tamanho o vai-e-vem de carros e ônibus.

"Viajo com Deus, se não volto estou com Ele". Lema de viagem!

Foi quando chegamos ao epicentro da manifestação, vi policiais e seus tambores, barracas, fogueiras e muita lama. Automóveis, muita gente. Apreensão. Suspiramos todos quando vimos o policial fazer sinal de “pode passar”.

Do outro lado da janela, barbúdia. Do me lado do banco, serenidade

O ônibus cruzou a barreira em alta velocidade. Vi no display que fica sobre a porta de entrada (onde marca as horas e se o banheiro esta ocupado) sinalizar “Velocidade Máxima”. Surreal.



Após a barreira, o ônibus clamou por aplausos. O casal de israelenses do banco da frente dizia “amazing”, os ingleses do banco de trás esboçaram um sorriso, as portuguesas no banco ao lado fizeram curtos comentários. Mas ao meu lado, mantendo sua serenidade teutônica e sem descolar o fone do ouvido, a alemã nada disse.

A viagem continuou com um foco: Chile. Antes dele, valem as paisagens lindas dos Andes. Você vem conosco?

Um comentário:

Luciana disse...

Oi Murilo!!! Adorei suas dicas e seus comentários (de aertos e erros) sobre a viagem. Devo fazer o mesmo percurso (Foz do Iguaçu ao Atacama, com passagem por Salta)agora no ano novo. Será que vc tem alguma dica preciosa pra me passar? Gd beijo, Lú