Era nosso segundo dia de passeio pelo Atacama. Os brasilienses Laerte e Márcia e os gaúchos Sidney e Sala compunham a equipe. Gêiseres Del Tatio, passeio obrigatório para quem visita San Pedro del Atacama. De madrugada o micro-ônibus passou para nos pegar e quase me esqueceram não fosse o aviso de Márcia e Laerte.
Pois bem, estava escuro, dormimos a viagem toda até chegarmos ao El Tatio. Quando saímos do ônibus, todos cobertos de roupas das canelas ao cucuruco, vimos aquelas bocas de gêiseres buscando ar puro. Paramos diante de um e esperamos. De repente a água a 80º jorrou com vontade. Quase três metros de altitude. Bonito.
O sol se escondia atrás da silhueta de El Tatio, o perfil que dá nome ao monte e à região. Quando neva, um sulco da rocha faz correr água pelos “olhos” de El Tatio, como se ele estivesse chorando.
Nos divertimos por aquele mundo de vapor à meia luz. Ouvimos a simpática guia explicar qualé dos gêiseres e tudo mais. Tomamos café entre pássaros e vicuñas e sob a sombra do El Tatio. O sol teimoso se escondia.
Calor no frio
Quando veio, o sol não bastou para espantar o frio. Precisávamos de algo mais forte. A saída foi a turma toda se banhar em um lago de águas termais. Foi engraçado ficar só de sunga naquele frio e depois entrar no meio do vapor sulforoso. A água, ora morna, ficava perigosa quando alcançávamos um veio da rocha com nossos traseiros. A água quente queimava os fundilhos e nós gritávamos “Ai, ai”. Ao menos ali pude mergulhar sem ferir os olhos.
A paisagem era de miragem ao continuarmos o passeio. As gramíneas pareciam douradas quando iluminadas pelo sol em sua inclinação matinal. Nosso próximo ponto era outra lagoa, mas sem inteiração, só admiração.
Não parei para ouvir a guia. Admirei um pouco a lagoa e catei a máquina do Sidney (lente 400mm, outra coisa). Queria fazer uns closes em umas vicuñas. Dei um pique de 200 metros e quase não sobrevivi - a altitude nos derruba. Mas tirei algumas fotos boas dos animais.
Mais gordas e famosas as lhamas vivem em altitudes bem menores. Elas também foram modelos das lentes do Sidney e das minhas. “Vamos ver quem faz as fotos mais bonitas”, desafiei, arrogante. Ele com a 400mm e eu com meros 17-85mm. Não daria nem pro cheiro.
As lhamas são fofas e úteis. O pessoal local aproveita até a alma desse bicho, desde o lombo forte que aguenta de 30 a 40 quilos, até pelo, carne, ossos, sangue e tudo mais. E claro, umas fitinhas nas orelhas e pronto, as llamitas estão prontas para turistas como eu.
Já não fazia mais frio quando chegamos ao povoado de Machuca, outro pequeno set cenográfico para atrair turista. O povo vive da carne das lhamas e da ajuda do governo – há até energia elétrica, via painéis solares.
A viagem de volta foi cansativa e regada a conversas sobre outros pontos imperdíveis no Chile. Santiago e Pukón, minhas próximas viagens. Mas nesta, que nutre o Especial Andes, o Chile é só um aperitivo. O prato principal vem depois.
Mas uma coisa de cada vez. Chegamos cansados em San Pedro del Atacama. Eu tinha um pequeno problema pra resolver e o pessoal queria descansar. Nos preparávamos porque a tarde teria mais.
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