segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Exorcismo em Copacabana

O Ben não estava nada bem quando chegamos ao restaurante. Pálido, tinha as pálpebras pesadas. Passava mal. “Vou voltar para o hostel, não estou me sentindo bem”, disse em seu castelhano de norte-americano. Ben voltou, e Marco e eu jantamos uma pizza. O restaurante de “parejas” tinha mesinha à luz de velas e todo cheio de clima. E o argentino e eu ali sentados um de frente para o outro. Rimos muito disso, mais tarde.

Vítima 1: Ben nem comeu a pizza com Marco e eu. Foi direto para o hostel logo que começou a passar mal

Mas quando voltamos ao hostel o clima não era de risadas; Ben se encolhia na cama. Tinha ido ao banheiro e voltado dele um punhado de vezes e já não lhe sobrava nada no estômago. Suspeitava que a causa fosse o mal da altitude, mas já passáramos por lugares mais elevados, não deveria ser. Marco e eu fomos dormir preocupados pela saúde de Ben. Nem imaginávamos o que nos aguardava.

Vítima 2: Marco e eu estávamos preocupados por Ben. Mas Marco também passou mal. De manhã chamava pelo irmão 'Franco' e pelo amigo 'Mineiro'

Foi Marco o segundo a ir ao banheiro. Vomitou até a alma, o coitado. Pensei “vou ter que cuidar desse argentino e desse americano”, tentando controlar um mal-estar que aos poucos também se apoderava de mim. Meio da madrugada, foi a minha vez. Odeio vomitar. Passamos, os três, uma noite de cão.

Vítima 3: achei que teria que tomar conta dos dois, mas que nada, tive que cuidar de mim. Odeio vomitar. No outro dia ficamos de molho

De manhã, Marco chamava pelo nome do irmão “Franco” e do amigo “Mineiro”. Delirava o argentino. Ben acompanhava o delírio falando frases em inglês. “Pensei que iria morrer”, lembrou Marco tempos depois. Exorcisamos em Copacabana.

O culpado? Noite em Copacabana, noite de exorcismo. Culpa de um desayuno em La Paz. "Leche, maestro?". Deveria ter respondido "no"

Até hoje não sabemos o que nos fizera mal. Deve ter sido algo que comemos no desayuno em La Paz. “Aqui esta, maestro”, lembramos o simpático garçom, agora em tom de ironia. Ben e eu apostamos no omelete, huevo frito e huevo revuelto. “Revolto” ficou nosso estômago no final do dia, mas Marco jura que o problema foi com o leche. A mantequila corre por fora.



Resumo da ópera: perdemos um dia em Copacabana. O sol brilhava, enquanto os três viajantes de estômagos revoltos se escondiam dentro do quarto. A tarde saímos para dar uma volta, comer uma fruta ou tomar um refrigerante. Quando li “pollo frito” em uma placa, meu estômago deu um duplo twist carpado. A piada do dia era se estávamos preparados para huevo frito, leche e mantequilla. Não, não passamos pela “carniceria”...

Nos amarramos mais um dia na cidade. A causa de nosso exorcismo em Copacabana será pra sempre um mistério boliviano.

5 comentários:

Cristina disse...

Oi, Murilo. Primeira vez aqui no seu blog. Muito legal os teus rascunhos de viagem. Nossa, esse leche fez mal pra todos, hein ?? Nossa !!!

Murilo Alves Pereira disse...

Oi Cristina, bem-vinda aos Rascunhos. Pois eh, vc não imagina como fez mal. Só que ninguém sabe exatamente o que foi, ehhehe.

Continue acompanhando as histórias. Se quiser, dê um pique até o primeiro post (Em linha reta, runo à Salta) e leia tudo.

Um abraço, obrigado pelo comentário e boa viagem!

Murilo Alves Pereira disse...

O Ben comentou no Facebook, e não aqui, e eu concordo com ele. Foi no dia do exorcismo que ele, Marco e eu ficamos amigos de verdade.

Grande Ben!

Stela disse...

Oi Murilo, estava passeando com voce e seus amigos em suas viagens.
Deve ter sido muito bom viver estas aventuras, mesmo um dia passando mal...faz parte ta boa aventura tb.
Continuem em suas aventuras...que eu acompanho daqui...bjs

Anônimo disse...

parabéns seu blog e otimo sem eu viajar pudo conhecer todos esses locais e demais.