terça-feira, 4 de agosto de 2009

Chuva em Copacabana

O dia amanhecera chuvoso em Copacabana. “¡Que mala suerte!”, esmurrava a parede o irado Marco. Tinha razão, havíamos perdido um dia de passeio devido a nossos estômagos revoltos. Não perderíamos outro por culpa do tempo. Pegamos o barco assim mesmo.

Quando chegamos em Copacabana, esperávamos passar apenas um dia. A noite, logo que o ônibus nos deixou na praça central, buscamos hostel barato, algo com leito e baño caliente, ‘no más’. Pechinchamos que é o diabo, e depois, entre nós, rimos. "Está muito barato”. Naquele pouco tempo na orla do Titicaca, eu poderia conhecer melhor os dois novos amigos.



Na TV, só se falava do badalado carnaval de Oruro, que aconteceria naquela semana. Flash ao vivo da cidade, tomadas das fantasias e máscaras, dança, música e um mundaréu de turistas, tudo sob o patrocínio da maior cervejaria da Bolívia. “Paceña, es cerveja!”, dizia o slogan, outro bordão que nos acompanharia.

Ben, com seu humor ácido, ria-se todo. “És una obviedad”, dizia, achando graça o slogan de uma cerveja dizer que ela “é cerveja”. Meu amigo americano se divertia com os meninos gritando o destino das conduções, em La Paz, e com as vendedoras e suas roupas de alpacas purisimas. Era o jeito Ben de ser.

Tempo para fotos da orla do Titicaca. Algumas conceituais

Já Marco, como eu, é louco por fotos. Naquela noite, trocamos primeiras impressões sobre nossas máquinas, falamos sobre fotometria, enquadramento e por aí vai. Se no Chile tive uma pequena disputa com Sidney pelo melhor clique das lhamas, no resto da viagem, Marco seria meu grande oponente. “Mesma foto, Marco!”. Mais um bordão.

Na orla também é lugar para silhuetas. De patos e senhores

Foi com o argentino que acabei ficando mais próximo. Lembro de ter me perguntado se seriam eles meus novos parceiros de mochila, logo que os conheci na van, em Potosí. Seriam. Sem Ben, Marco e eu jantamos pizza aquela noite, e conhecemos um pouco sobre um e outro. Mas então veio a tal noite do exorcismo...

Simpáticos cães. Esta o Marco não fez

No outro dia, ficamos de molho. Decidimos que não adiantaria pegar o barco em direção à ilha, convalescentes como estávamos. Pela manhã, queríamos chá de coca para aliviar o estômago e algo leve para comer. Nem pensar em huevo, leche ou mantequilla. Marco e eu passamos por lan house, enquanto Ben dormia até mais tarde.

Sombra negra de uma igreja branca

Foi dia para conhecer melhor a cidade, sua igreja Nossa Senhora de Copacabana toda branca na praça central, as ladeiras, as bancas de artesanato e a orla do lago. Tiramos fotos de paisagens e de pessoas, pedalinhos em forma de patos, silhuetas de bolivianos, crianças jogando bola e simpáticos cães. Ou o que mais cabia no visor da máquina fotográfica. “Murilo, mesma foto”, respondia Marco.

Futebol no Titicaca. Um dia de boas fotos

O dia passou voando e pagamos mais uma noite no hostel barato. Nos preparamos para uma noite tranquila, sem idas e vindas, revertérios estomacais ou exorcismos. Tomamos os três uma sopa de quinua em um restaurante bacana - encontrei uns conterrâneos e Marco riu do fato de nós brasileiros nos enterdermos tão bem. Naquela noite, ufa, dormimos bem. Para acordamos com o barulho da chuva na outro dia.

“¡Mala suerte!”, voltou Marco a esmurrar a parede, ferindo os nós dos dedos. Iríamos à Isla del Sol assim mesmo.

4 comentários:

Mariana disse...

Oi, Murilo! De uma forma muito aleatória, achei seu blog. E curti! Vou bisbilhotar com freqüência =)

Um abraço!

Mariana

Murilo Alves Pereira disse...

Valeus Mariana, se quiser acompanhar toda a viagem, volte alguns posts. Ela continua...

Abraço

Jackie e Rômulo disse...

Ahhhhh esse cachorrinho fofo a gente apelidou de Totólhama rsrs

Murilo Alves Pereira disse...

Totólhama? Hhahahha, boa. Vocês conheceram Copacabana? Abraço e continuem visitando o blog