segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Berlim Cor-de-rosa

Imagine Priscila, a rainha do deserto, causando com sua imensa capa prateada; acompanhando o caminhão, o Patrick Swayze deitando o cabelo em “Para Wong Foo, Obrigada por tudo”; e ainda, o elenco completo de “Gaiola das Loucas”. Tudo junto, loucas e desvairadas. Mas com sotaque alemão. Foi neste mundo cor-de-rosa que Juttel e eu baixamos ao chegar em Berlim.

Parada estratégica na estação de trem. Ajeitando as fotos e a cara de sono

A viagem de trem terminara na estação Berlin Hauptbahnhof. Fizemos nossa meia hora de descanso: procurar um locker para deixar as bagagens (sim, agora tenho bagagem), comer alguma coisa, buscar mapas para orientar o passeio. Estávamos cansados, mas prontos para outra. E meu parceiro de viagem todo orgulhoso aspirava o ar de seu país de origem.

Da Berlin Hauptbahnhof para o mundo. Mas seguindo a seta no mapa

Saímos da estação seguindo uma seta no mapa, o que tivesse de turístico pela frente veríamos. Berlim é linda, por isso, o passeio de um só dia soou um tanto instantâneo. Mas valeu a pena.


Ar alemão em alvéolos pulmonares alemães, o Juttel estava em casa

Administração teutônica


E o primeiro ponto turístico que cruzou nossa seta guiadora foi o Reichtag, o Parlamento alemão. Legal a miscelânea do histórico com o moderno. O prédio antigo em contraste com a construção circular de aço e vidro. Aliás, essa contradição estaria presente em outros momentos de nossa curta estada.

O Reichtag. Símbolo do histórico e do moderno, tudo junto

Dali seguimos em direção ao majestoso Portão de Branderburgo, famoso por dividir as duas Alemanhas no século passado – ou permitir o acesso de lá pra cá e de cá pra lá, afinal, é um portão.

Portão de Branderburgo e minha cara de tacho. Sei que isso é um ponto importante, disse na ocasião

Tomado pelo espírito da final da Eurocopa, o Portão era palco de uma incrível fanzone que, um dia depois, ficaria lotada de alemães ávidos por vencer espanhóis no campo (mas isso é mais pra frente).

Memorial do Holocausto: tocante

Mudamos nossa seta e seguimos o caminho original do Muro de Berlim, estando ora no oriente ora no ocidente. Fomos dar de cara com um praça repleta de blocos de concreto, de diversos tamanho. É o Memorial das Vitimas do Holocausto, uma tocante homenagem fincada no coração de Berlim.

Poser no muro da vergonha, cicatriz aberta no centro de Berlim

Ali, o ar alemão aspirado por Juttel tinha odores de História. Seguindo pela cicatriz do muro da vergonha, encontramos uma ferida ainda aberta: uma parte do muro preservada por motivos históricos e turísticos. Dava para sentir bem o clima de história exalado por aqueles resquícios de muro (com a qual eu voltaria a ter contato, no museu do comunismo, em Praga).

Vândalo, ou ao menos representação de tal. Juttel revive os momentos da queda

Interessante ver os sinais da mudança. Do lado oriental do muro (no sentido geográfico, que o político não existe mais), um imenso cartaz da Coca-Cola, patrocinadora da fanzone, deixa claro qual sistema manda.

Coca-Cola e Berlim Oriental, tudo a ver

Mas mais adiante, em um elevado, foi como voltar ao passado e ver as duas Alemanhas novamente. Ao oriente, aqueles prédios marrons bem característicos do filme “Adeus Lênin”. Ao ocidente, os modernos aço e vidro em construções de design extravagantes. Isso é Berlim.


Racha: os predinhos de "Adeus Lênin" e a Berlim moderna

Chuva de purpurina


Então recebi um jornalzinho de um cara. Agradeci com a cabeça e, antes de me virar, percebi que o rapaz piscava pra mim. Abri o jornal, foi como se uma chuva de purpurina caísse sobre a cidade tirando aquele ar sério e histórico e tingindo Berlim de cor-de-rosa. Ou com todas as cores do arco-íris, para ser mais exato. Estávamos em pleno “Christopher Street Day”.

Sem comentários

O dia do Orgulho Gay é comemorado em toda Europa, embora com nomes distintos em outros paises. É uma grande passeata em defesa do direito de minorias, como os homossexuais, bissexuais, transexuais, etc. A Berlim histórica que queríamos conhecer se vestiu com as cores da diversidade sexual e com mensagens de tolerância e respeito. Foi engraçado e divertido.

Nem o médico Hermann von Helmholtz (1821-1894) foi poupado

Pelo centro histórico já não sabíamos mais o que era o que. Nossa seta não tinha mais razão de ser, pois quem ditava o ritmo do passeio eram as dezenas de homens marombados em trajes sumários, ou drags queens gigantes pintadas de cima a baixo, rapazes ora de seios postiços ora de bunda à mostra e outros com sungas de couro e coleira. O Juttel corria a se explicar: “Não foi nada combinado. Estamos aqui por acaso”. De fato não foi, mas conhecer Berlim sob o viés de sua gente cor-de-rosa foi bastante interessante.

Como assim? Isso é Berlim? Juttel e eu perdidos

Sprint final

Daquele momento de sodomia caminhamos conhecer uma das igrejas mais fantásticas de toda a viagem, a Berliner Dom, ou Catedral de Berlim. Bela e grandiosa, sua primeira construção data do início do século passado. Fica pertinho da prefeitura de Berlim e de um jardim, o Lustgarten. Atrás, no mesmo enquadramento da foto, reprisando o histórico e o moderno, a torre da TV.

Uma das mais belas catedrais e a torre da tv

Imponente por fora e por dentro, paramos para descansar e apreciar a catedral. Assim como todas as grandes igrejas há, embaixo, as catacumbas com caixões e esquifes onde jazem os corpos de religiosos. E, subindo um sem-número de degraus, pudemos apreciar a vista lá de cima e ver a maquete. Encantadora.

Assim, nem parece tão grandiosa

A visita já estava ganhando ares de despedidas. Na ilha dos museus, conhecemos o Pergamo Museu e o Bode Museu, mas só por fora. Também sobrou um tempinho para tomar a cerveja local, meio litro de Berliner, e ainda começar a se coçar para arrumar um jeito de chegar à próxima parada.

Parada para descansar, apreciar e refletir

Foi assim por acaso que conseguimos encontrar a passagem, pelo celular de uma berlinense que trabalhava num show de teatro, que estava sentada diante do computador. Meio às pressas, na loucura.

Em Berlim a pedida é meio óbvia: Berliner. Bem boa

Foi também por acaso que nós, na correria de chegar à rodoviária, pensamos em conhecer um último ponto turístico: a estonteante Coluna da Vitória (Siegessäule). Mais por acaso ainda foi ver o final do “Christopher Day” por lá. Outro cartão postal de Berlim tingido de cor-de-rosa, mas não tínhamos tempo para mais nada.

Fusão de dois museus na ilha. Não deu tempo para entrar, Berlim estava quase no fim

Só para pegar um táxi e voar para a rodoviária, bem distante dali. No caminho, mundo pequeno, vimos o casal sueco passeando, calmos como são os suecos, com seus uniformes esportivos. Mas, foco. O táxi cortou as ruas de Berlim, nossa seta agora era precisa e acelerada.

Última parada, a Coluna da Vitória, quase nos fez perder o ônibus

Quase perdemos o ônibus, mas foi por pouco. Embarcamos para uma curta viagem por solo alemão rumo à próxima parada.

E você, segue viagem conosco?

3 comentários:

tábata disse...

ual, cada foto linda :) , e os textos ótimos hehe! fiquei com invejinha boa de voce, hahaha
beeijos murilitoo ;**

Mensageiro disse...

o mais engraçado é a coca-cola...
mesmo com a parada gay....

Anônimo disse...

Adorei as dicas!!

http://www.oguiadeportugal.com/