sábado, 3 de janeiro de 2009

Alemães, espanhóis e... brasileiros em Viena

O jovem alemão me cutucou o ombro e perguntou o que eu estava fazendo ali. “Assistindo ao jogo”, respondi. Mas por que da camisa do Brasil, tornou ele a questionar. “Porque eu sou brasileiro, oras”, sentenciei. Ele silenciou, desistiu do mim e voltou a atenção para o jogo. E viu a Super Deutchland perder a Eurocopa para Espanha.

Alemães em Viena. Eles tudo bem, mas e nós?

Havíamos sido recebido de outras formas por torcedores alemães e espanhóis. Muitos batiam em nossas costas ao ver a bandeira do Brasil e a camisa da Seleção, reconhecendo nossa superioridade, ao menos no futebol. E ao menos em épocas específicas. Outros olhavam com cara de desconfiança. Mas tive que concordar com aquele jovem bêbado alemão: o que estávamos fazendo ali?

Alexander Dom, no coração de Viena. Silêncio pela manhã

O dia prometia quando pisamos em Viena, em 29 de junho. O centro ainda vazio não se parecia em nada com o circo que a capital austríaca se tornaria mais tarde. Era dia da final da Euro 08, Alemanha X Espanha.

Juttel e eu estávamos acompanhando o campeonato desde o Brasil. Fiquei puto por Portugal não ter se classificado (desperdicei R$ 20 em uma camisa do Cristiano Ronaldo). No aeroporto de Guarulhos, dia do embarque, vimos a poderosa Holanda também dizer adeus à Eurocopa.

Em Amsterdã encontramos pela primeira vez os irmãos latinos, no jogo contra Itália. “E viva Espanha”, estreamos o grito. Em Estocolmo, no Ice Bar, esquentamos o clima com um grupo de calientes espanhóis. Em Viena seria nosso último encontro.

Juttel olha o estádio. Não é para nosso bico

Aos poucos as pessoas foram tomando conta da Alexanderplatz, a praça principal onde fica a belíssima Alexander Dom. Após nos instalarmos na cidade (ou quase, leia post a seguir), fomos curtir o clima de Eurocopa. Vimos o estádio da grande final, ao menos pelo lado de fora; notamos a movimentação da imprensa e outros sortudos com suas credenciais.

Torcida alemã ensaia os gritos da final

Mas precisávamos tomar nosso rumo. Após uma revigorante dormida em gramadão, tomamos metrô de volta ao centro da cidade. O destino era o da fanzone, no centro histórico de Viena.

Vermelho-amarelo por toda a parte

A Alexanderplatz aquela hora estava apinhada de caras com roupas brancas e vermelhas. Aquela multidão de alemães e espanhóis gritava seus hinos entre os cartões-postais de Viena. Tão inusitado quanto conhecer a Berlim cor-de-rosa, foi ver Viena em dia de final. Sensacional.

A multidão seguiu seu rumo e fomos atrás. Passamos por castelos, estátuas, monumentos grandiosos. Os torcedores tiravam fotos entre as estátuas e duelavam no grito. Mas ficava nisso, sem violência, como tem que ser uma final de campeonato.

Torcida em monumentos históricos. Viena nunca mais foi a mesma

Chegamos à fanzone, tão grandiosa quanto o centro histórico. Ruas e mais ruas cercadas, repletas de telões, e mensagens dos patrocinadores. Uma loja de roupas gigante, com preços proporcionais, e muita, mas muita gente.

Bem-vindo à fanzone! (link patrocinado)

Prevaleciam os carinhas de branco, com aquele sotaque arranhado. Não vale, a Alemanha é ali coladinha de Viena. Juttel e eu andávamos aqui e ali, sentindo o clima local. Esperamos num gramadinho novamente, curtindo o movimento e sonhando.

Refresco para o verão europeu. E para um bando de torcedores suados

Sonhávamos que estávamos entre castelos lindíssimos, sendo atacados por hordas de fanáticos. Mas não era sonho. Num palco, um show de rock repercutido nas dezenas de telões. O sol dava sua descida final, não fazia gracinha como na ensolarada Suécia. Prelúdio do espetáculo.


Castelo vienenese e futebol. Paixões locais

O jogo não foi o melhor do show, mas sim aquele sentimento de ineditismo. Tudo era interessante. Do casal alemão que lamentava o desempenho do time à família austríaca que estava ali só para torcer contra. Olhava para a tela, torcia, vibrava, mas sequer estava ali. Ainda sonhava.


Torcida alemã vibra, mas não deu pra eles

Ao menos para Alemanha, o sonho acabou com um gol de Fernando Torres ainda no primeiro tempo. Fim de jogo, Espanha vibra. E nós que aprendemos a torcer pela Espanha, emprestamos nossa grito também. “Lá-lá-lá-lá-lá-lá... E Viva Espanha!” Ótimo.

E deu Espanha!

A festa tava boa, estávamos superanimados, mas incrivelmente cansados. O dia corrido da Alemanha, a viagem mal dormida e o longo dia em Viena começaram a pesar. Um problema que estávamos procrastinando, de repente pula na nossa frente. Precisávamos acordar do sonho para encontrar um lugar para dormir?

História para o próximo post.

5 comentários:

Luiz Paulo Juttel disse...

Reprodução de diálogo entre um alemão e eu na tarde descrita nesse post. Ele viu minha camisa da selação brazuca e disse:

(ele) - Será que o Brasil ganha o jogo hoje? heheheh
(eu) - Hoje talvez não, mas daqui a dois anos na Copa do Mundo com certeza!
(ele) - Lá vcs vão perder pra nós.
(eu) - Aham, igual em 2002. Tá lembrado, Ronaldo vs Oliver Kahn? hehehehe
(ele)- Ahhh! Fala com a minha mão aqui...

Dia louco esse.

Murilo Alves Pereira disse...

HAhhaha, Juttel, lembro quando vc disse isso também. Não faltou alemão para ficar de cara com a presença de brasileiros ali. Mas no geral, alemãozada e, principalmente, os espanhóis, nos respeitam.

Parceirão, participe mais vezes por aqui, bele?

Abraço

Norito disse...

Pra comer um dogão ali você chama, mas pra ir curtir a final na Europa não né.. beleza você...

Nessas horas que conhecemos nossos amigos.

O ap. 15 acaba de te deletar no orkut. no longer friends, ou ishbieten wuiderlizgt zwei du, como diriam os alemães.

Norito disse...

PS: Nascer de Sol tem em todo lugar mesmo, em alguns lugares só demoram mais, como por exemplo no pólo Sul (ou seria Norte? não lembro) onde você pode ter de esperar até cerca de 80 dias...

Murilo Alves Pereira disse...

Sim, pequeno gafanhoto Norito, mas depende da época do ano também. Dê uma olhada tópicos abaixo, falo algo sobre isso na ensolarada Estocolmo.