terça-feira, 16 de outubro de 2012

Dia 12: nella Piazza dei Miracoli, o esplendor de Pisa

Oi paizão, oi mãezinha

Décimo segundo dia na Itália (26/02). Pisa é mais do que uma torre. E sua praça principal, mais ainda. A Piazza dei Miracoli, onde está o Duomo de Pisa, o batistero e, claro, a torre, é linda. Toda verde, como um campo e com as três construções. Cá entre nós, a torre nem é lá a mais interessante.

A Torre e a igreja. O dia seria em Pisa

Hoje fiquei me enrolando para saber o que fazer. Não queria viajar no dia de meu aniversário (odeio a incerteza de uma viagem, gosto de estar na cidade, com minha bagagem em algum lugar que não nas minhas costas), queria, pois, viajar hoje a noite para Roma. Mas aí o dia seria curto. Fiquei me enrolando de manhã, para sair. Dei um pulo até a estação para ver os horários de trens. Vou ou não vou a Pisa. Me enrolei.

A bizantina Santa Maria della Novella, após uma manhã chuvosa

Fui então a uma igreja, a Santa Maria della Novella, uma bizantina, muito bonita por dentro. Fiz boas fotos. Após uma chuvinha chata no início da manhã, fez sol e calor. Ótimo. Fui almoçar com Vanni e uns amigos da faculdade de arquitetura. Almoçar, humm, delícia. Esperava sentar e comer umas saladas, algo saudável. O cardápio foi um lampredotto, uma espécie de buchada de vaca (la ultima parte del intestino della mucca) no pão. Diz o Vanni que é comida comum em Firenze. Ao menos entre os estudantes deve ser, heheeh.

 Pela manhã, chuva em Firenze. E eu me enrolando...

Mas aí deixei de enrolar. Objetivo, fui à estação, comprei o biglietto e bora para Pisa. Uma hora de viagem, tempo para lhes contar como funciona o sistema de trem aqui. É fácil, fácil. Compra o bilhete na máquina, valida (convalidare) e pronto. Só tome cuidado com la linea giala, heheeh. Na estação fica um cara falando os horários dos trens e sempre no final diz: Attencione, allontanarse della linea gialla! (atenção, afastar-se da linha amarela!). Eu rio cá dentro toda hora que ouço e repito o linea giala mentamente.


Na viagem entre Bologna e Firenze, uma explicação breve sobre o sistema de trem

Bem, tem os trens barateiros, os chamados regionais, e os mais caros, da Fressarossa. Amanhã, por exemplo, para ir para Roma, eu posso escolher entre passar quatro horas no regional ou uma hora e meia no Fressarossa. Um custa 15 euros, o outro 45. Já estou esperto para pegar trem. Olho para os horários de partida, vou na máquina, busco meu destino, coloco o dinheiro no buraquinho, pego o troco, "convalido" em outra maquininha (é muito importante), e sigo meu rumo.


Em Pisa, um dos melhores CS da viagem, o grande Isaía que me deu uma aula sobre a cidade

E foi assim que cheguei a Pisa. Tinha escrito para outro CouchSurfing se ele tivesse afim de um café em Pisa. É uma outra modalidade, de CS, vc não hospeda nem fica na casa dos outros, é só coffe or drink, ou seja, sair para fazer alguma coisa. Um CS de Pisa, o Isaía, tinha alguns minutos antes do trem dele, para Bergamo, onde mora a sua família - ele está em Pisa estudando Matemática. Mandei uma mensagem de celular, confirmando o horário, atravessei a cidade de Pisa cruzando o Rio Arno que também passa por ali, e lá estava Isaía me esperando na Piazza dei Miracoli. Passei por ele várias vezes até que liguei para o celular e ele, ali pertinho atendeu.

O majestoso Arno, que também passa por Pisa antes de desaguar no Mar de Ligure

O cara é muito gente boa, me mostrou, por exemplo, alguns detalhes da igreja. Bem, todas as construções são lá de 1000 e alguma coisa e foram feitas em uma área pantanosa. A igreja também tem uma parte que é torta. E ela é interessantíssima, sua construção começou em 1064 com mármore de outras igrejas e construções - você vê nitidamente a diferença do mármore; em algumas partes tem até inscrições da outra construção [ela foi construída sobre outra igreja, de 1006. As obras pararam em 1095 por falta de verba e só foi consagrada em 1118]. Em um desses mármores importados, tem um monte de pontinhos dourados: diz a lenda que é impossível contar duas vezes o número de pontinhos e a pessoa que conseguir fazer isso é levada pelo diabo, hehehehe.

Detalhe do mármore da igreja. Consegue contar os pontos?

Outra história interessante é que a igreja foi construída bem junto ao muro da cidade. De fato está lá, o muro, o portão, e a igreja, no final da cidade. É estranho, porque os duomos (igrejas) são, normalmente, construídos no centro das cidades. Bem, Pisa tinha uma relação difícil com a Igreja Católica e usou seu duomo mais como escudo so ataque do povo de Lucca, uma cidade próspera na época (e também muito linda, pena que não vou conhecer) vizinha a Pisa.

O batistério, a igreja e a torre. Trindade óbvia dei tutti piazzi

Mas então, a torre. De fato ela é inclinada, bem inclinada. Mas já foi mais. Para impedir que ela caísse, fizeram o seguinte: colocaram uma máquina que ia retirando lentamente a terra do pé da igreja, para ela voltar aos poucos e reduzir a inclinação. Ela poderia cair se tivessem deixado a inclinação anterior. Ela é bonita, toda branca. Mas não subi não, pô 15 euros para subir numa torre? Nem, deixa para os turistas chineses. Eu fiquei por lá, caminhando, e rindo do pessoal que fazia aquelas fotos de segurar a torre com o pé ou com as mãos. Eu não.

A igreja majestosa e a torre, na Piazza dei Miracoli

Tá, vá lá. Dei umas voltas e fiz umas fotos bem legais, e, em uma, imitei o Michael Jackson naquele clipe que ele se inclina para a frente, meio para ficar igual a torre. Mas segurar com as mãos? Isso não.

Brincadeira com sombras, aproveitando a iluminação da igreja

Aí tomamos um café, especialidade de Pisa. Putz, esqueci de anotar o nome. Era um cappuccino com alguma coisa por cima. Não sei. Fui até outra igreja piccollina, esta de 1080, muito bonitinha. Toda de tijolinho a vista. O Isaía foi pegar o trem e eu fiquei lá na igrejinha. Uns músicos começaram a ensaiar umas músicas clássicas. Fique assistindo o ensaio, muito legal. Aí voltei para a Piazza.

 Ensaio musical em igreja medieval. A trilha de sonora de um ótimo dia (ouça um pouco aqui)

Fiz um monte de fotos com o tripé, da torre a noite. Muitas ficaram bem boas. Aí estava andando e vi duas mulheres conversando e uma dando aulas sobre a igreja. "Scusa signora, Io sono ascultato, posso farLa una domanda". E comecei a conversar com as duas, ela era uma professora e mostrou outras curiosidades da igreja. No tempo em que ela foi construída, Pisa era uma das principais repúblicas marinaras, ao lado de Gênova, Veneza e Amalfi. Daí, o esplendor e tanta riqueza. No caso de Veneza, ela continua vendendo aquele glamour de festas e carnavais. Pisa vive da torre... (brincadeira, Pisa é una cidade universitária).

Igreja a noite. Uma pena que não pude entrar...

Aí voltei para Firenze. Comi um MacDonalds no trem de volta enquanto ouvia dois africanos conversarem alto e um mexicano dormia na poltrona de trás. E agora, arrumo minha bagagem para chegar, finalmente, à Cidade Eterna.

Beijão,
Murilo

sábado, 6 de outubro de 2012

Dia 11: Da concha do renascimento, surge Vênus

E aí pessoal (cansei do italiano)

Décimo primeiro dia na Itália (25/02). Dia de sol hoje, acordei bem melhor da gripe, embora não tenha conseguido dormir a noite - alguma dica mamma? Fiquei rolando na cama, dormia e acordava. Sei lá. Mas tô bem, o nariz vaza e ainda tusso, mas tô melhor. Acho que é por causa do tempo, no frio eu fico com o corpo meio baleado mesmo.
   
A Ponte Vecchia sobre o Rio Arno. Medieval, hoje é um mercado de joias.

Bem, hoje foi dia de conhecer o Rio Arno e a Ponte Vecchia, um dos cartões-postais de Firenze. A história é interessante. Ela foi construída lá pelos idos de 1300 e alguma coisa. Era usada por açougueiros e vendedores de peixe. Era uma fuzarca, bem popularzona mesmo, para deixar a Ponte da Amizade no chinelo. O pessoal jogava o lixo no Rio Arno e era aquela porcaria. Mas então chegou um chefão qualquer e pôs ordem na coisa, trocou toda aquela bagunça por joalherias. Elas estão lá até hoje. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela foi a única que cruzava o Rio Arno que não foi colocada abaixo pelos alemães. Acredita-se que por ordem do próprio Hitler, que não queria destruir esta preciosidade.
A ponte Vecchia, por onde os boa-vida da família Medici cruzavam sem pisar no solo

Colocado depois: a ponte foi construída em 1333, era de madeira e foi derrubada por uma cheia do Rio. Aí foi reconstruída em 1345. Diz-se que o termo bancarrota teve origem ali: quando um mercador não conseguia pagar as dívidas, a mesa (banca) era quebrada (rotto) pelos soldados.

O Rio Arno divide Firenze em o lado de lá e o lado de cá, tendo como referência o Duomo, ou a catedral de Santa Maria del Fiore. A ponte tem outra função interessante. Do lado de lá, tem o Palácio Rici, construído pelos Rici, mas que ficou tão caro que teve que ser vendido a um membro da família Medici (a família mais rica na época áurea de Firenze). Eu cruzei a ponte e fui até o tal Palácio. Bem interessante, bem palácio mesmo. Com seus quartos, salas, ante-salas e banheiros. Guarda uma coleção interessante de pintores do Renascimento do calibre, por exemplo, de Raffaello Sanzio, Giorgio Vasari, entre outros. Perdi um bom tempo no castelo. Mas então voltei para a cidade.
Bem, eu vim pela rua, mas um membro da família Medici que quisesse chegar ao escritório, os chamados ufficci ("escritórios", em italiano), poderia ir por cima, pelo castelo, que é conectado aos outros prédios, indo em direção a ponte Vecchia, passando a ponte ainda em uma contrução elevada, dobrando a direita, e chegado ao Ufficci. Sem pisar no chão.

Renascimento

Eu tive que pisar, e cheguei à galeria degli Ufficci, onde está a maior coleção de arte renascentista do mundo. A coleção dos Medici. É muito interessante, começa no trecento (século 13), com as obras ainda saindo da arte bizantina e começando o renascimento. O destaque são os quadros religiosos de Giotto, todos muito dourados e com traços já parecidos com o que viria depois.
  
 O Nascimento de Vênus, obra máxima do Renascimento (foto da internet)

E o que veio depois foi a explosão de Sandro Botticelli e Leonardo da Vinci, assim, um depois do outro, covardia. Era o quatrocento (século 14) o período áureo do Renascimento. Aparecem algumas obras de Fra Filippo Lippi, que inspiraram Botticelli, e outras de Andrea del Vecchio, mestre de Da Vinci. Uma obra mostra sete virtudes do homem, Piero del Pollaiolo tinha feito seis, mas Botticelli fez a sétima, Fortaleza, muito melhor que aquelas do anterior.
A Primavera, outro de Botticelli. É proibido fazer fotos nei Uficci, por isso, fotos na internet

E então vei a sala dele. Botticelli, e O Nascimento de Vênus, o quadro mais famoso do Renascimento. Eu ficava naquele frenesi de quando eu veria o tão aguardado quadro e, de repente, ele estava lá. No meio da sala. Muito emocionante. E muito lindo, não pelos traços, que já beiram o maneirismo (outra escola), mas pelo significado da obra. Na mesma sala, outra obra-prima do mestre Botticelli, A Primavera, também lindíssimo. Fiquei um bom tempo apreciando a sala de Botticelli, e na sala ao lado, Da Vinci. Só dois, A Anunciação e um quadro inacabado.
Da Vinci, com seu belo A Anunciação

Aí começa o quintecento (século 15) que é o final do Renascimento. Época da descoberta da América e da morte de Lorenzo de Medici, quando Firenze entra em declínio. Mas o quintecento tem as obras de Michellângelo (no Ufficci só tem uma) e Rafaello, outro gênio e seus retratos de olhos esbugalhados. Termina com os quadros escuros de Ticiano. Uma verdadeira aula, passando por obras belíssimas.
  
Piazza de Santa Cruce, onde eu passaria meu aniversário dois dias depois

Achava que já estava bom para o dia. Dei mais uma pernada pelo Ufficci, voltei à sala de Botticelli para me despedir de Vênus, e caminhei até a Piazza de Santa Cruce, bem bacana, com uma linda igreja. Tomei um café enquanto preparava os próximos roteiros. Já era noite. Viajar no inverno já é ruim, ainda mais se o inverno for o europeu. Aqui escurece depois das cinco da tarde, um saco (saudades de quando eu chegava as seis em casa, tomava uma hora de sol, ia para academia e, quando voltava, passado das 20h30, ainda era dia).
  
Vista da Piazza del Michellângelo, uma das várias réplicas de Davi e a ponte Vecchia.

Aí dei uma corrida até a Piazza del Michellângelo, onde tem uma réplica do Davi e uma interessante vista de cidade. Fiz algumas fotos com a máquina que resolveu voltar a trabalhar. E voltei para casa. Agora to tomando um chá com mel e daqui a pouco vou dar uma volta com Vanni. Amanhã tem muito o que ver. Vou começar com o Davi original, que está na Galleria dell' Academmia. É a principal escultura do Renascimento, quiça de toda história. Também quero conhecer outras igrejas e dar mais uma passadinha no Duomo. Ainda vou para Pisa, mas não queria deixar para fazer isso no dia 27, não quero ficar viajando em meu aniversário.
  
Vanni, meu chapa de Firenze, em uma festa underground. Loco!

No mais é isso. Hoje o dia foi ótimo, bem cultural mesmo. Vamos esperar para ver Davi amanhã.

Beijão,
Murilo

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dia 10: Ronaldinho Gaúcho, o carrasco de Firenze

Ciao bello,

Décimo dia de Itália (24/02). A garganta dói, ouço música brasileira na casa de meu CS [couchsurfer], o irmão dele é músico e está mostrando algumas músicas do Youtube. O Vanni está preparando uma bella pasta all' amatriciana con pancieta (bacon) e pomodoro (tomate). Está quente aqui, bem diferente de lá fora onde eu estava até agora. Jogo da Fiorentina contra o Milan. Maldito Ronaldinho.

Olá pessoal, o dia em Firenze hoje foi muito bom. Dormi e suei bastante a noite. É bom para passar a febre. Tomei um chá muito bom ontem a noite, quentinho e com mel. Acordei bem melhor. Não sei se estou com inflamação de garganta. Se estiver, tô ferrado. Vamos ver com acordarei amanhã (estava me esquecendo de tomar água aqui na Itália, acredita. Agora estou tomando bastante água e comendo direitinho).
 
Gato e cemitério, um clássico. Mas este gato esta na rua mesmo...

Bem, acordei e peguei carona com a mãe de Vanni, a simpática Dona Rita, até o estádio, para comprar o ingresso. Gente boa a Dona Rita, mas fala mais que a Bruna quando está empolgada. Parei no estádio e comprei, fácil, o ingresso. Encontrei um italiano que fala português (é casado com uma brasileira, tem muito disso por aqui) e ele me deu a dica do melhor lugar.

 
 As vespas características da Itália e o mercado repleto de brasileiros

Aí fui caminhar. Buscava um cemitério específico e encontrei o errado. É fácil andar por Firenze com um mapa na mão. Tinha muita coisa para ver, mas pouco tempo. Então passei pela Piazza del Duomo e fui direto ao mercato, onde tinha marcado de me encontrar com o Vanni para almoçar. Passei por uma ferinha bem legal, cheia de brasileiros (ali, o idioma oficial é português). Fiquei batendo mó papo com os brasileiros e cheguei ao mercato, mas não encontrei Vanni. Trocamos algumas mensagens e ele: "Mas tu sei en mercato San Ambrogli?" Eu tinha errado o mercado.



O belíssimo Duomo, por dentro e por fora

Andei um pouco mais e fui chegar à Piazza del Duomo. A catedral Santa Maria del Fiore (o Duomo) é lindíssima por fora, mas bem simples por dentro. Interessamte, não tinha cadeiras, só um amplo espaço aberto. Na cúpula, o belíssimo Juízo Final, de Giorgio Vassari. E na parte debaixo, as ruínas. A catedral foi construída em 1436. Mas aí construíram outra em cima e depois outra e mais outra. Umas cinco, pelo menos. Nas ruínas, dá para ver os vários perfis, interessantíssimo.

No subsolo, as ruínas e os vários perfis das igrejas construídas uma sobre a outra

Na piazza, tem a trindade catedral, batistério e campanário. O Batistério de São João é perfeito. Tem três portas divinas, uma delas foi chamada por Michelângelo de a Porta do Paraíso, tamanho o esplendor. Elas foram feitas por Lorenzo Ghiberti, então com 21 anos. Ele levou outros 21 anos para finalizar as portas, com 28 painéis que narram cenas do Novo Testamento. No interior é ainda mais magnífico. Mosaicos venezianos brilham como ouro, e narram cenas de tortura do Julgamento Final. Tem um Cristo que é bem famoso.



 Batistério de São João com a "porta do paraíso" e os mosaicos venezianos

Depois saí, dei mais uma volta pela praça e voltei para a casa. Teria o jogo, não queria chegar tarde. Muito interessante os estádios aqui. Não tem muito controle, mas as torcidas são comportadas. Eu comprei uma camisa da Fiorentina e fui torcer para o time violeta, ou "viola", em italiano (a camisa é igual ao terceiro uniforme do Corinthians, todo roxo). O estádio é deveras curioso. Você fica bem pertinho dos jogadores separado apenas por um vidro. Sério, a linha do campo fica a dois metros da arquibancada. Vi o Ronaldinho, do Milan, bem de pertinho. Ele é todo mala, mas joga bem mesmo. Tanto que a Fiorentina jogou bem melhor, marcou no primeiro tempo, mas em dois lances de Ronaldinho, no fim do segundo tempo, o Milan virou: 2 a 1. Mas a italianada no estádio é tão tranquila que os torcedores da Fiorentina foram tirar foto do Ronaldinho, quando ele fez o gol. No final do jogo, os fiorentinos voltaram de cabeça baixa e tranquilos para a casa. Melhor para mim. [veja dois lances do jogo aqui e aqui]


No estádio do Fiorentina, vemos o jogo pertinho. Milan 2 a 1 Fiorentina

Agora estou aqui com o pessoal. Minha boca queima da pimenta da pasta (um baita pratão, italiano come demais). Mas tudo bem, tô aqui conversando com o pessoal, eles imitam o brasileiro falando, muito engraçado [mais pra frente eu conto a história do Cacao Meraviglao]. Muito bom estar em CouchSurfing, beeeem diferente de um frio hotel (como em Bologna e em Verona). Espero que seja assim em Roma, chego lá no dia de meu aniversário.

Tosse, tosse. Estava frio no estádio. Me agasalhei e me escondi debaixo da toca quando estava lá. Quero só ver como vou estar amanhã.

Beijo mamma, beijo pappa, saudades de vocês.
Murilo

terça-feira, 4 de setembro de 2012

DIa 9: Voz de cantor brega

Nono dia na Italia (23/02). De madrugada, acordei tossindo. Tive um pesadelo: sonhara que a mamma tinha me ligado dizendo que a tia Fatima tinha morrido. Chorei um monte no telefone. Depois, a tia Fátima virou a Renata. Era ela que tinha partido. Peguei o celular, era 2h30 (22h30 aí no Brasil) e mandei uma mensagem para a tia Fátima. Graças, ela está bem, embora só me tenha respondido agora, hehehehe.

Então, de manhã, tomei um banho quente. Arrumei minhas coisas e tomei um café e o chá para a garganta. Estou batendo perna meio sem rumo pelo centro. Bologna é universitária. Está cheia de estudantes pela rua. Tem um centro histórico muito bacana, com as duas torres e a Piazza Maggiore. Mas para mim basta. Acho que vou buscar minha água do Rio Pó e partir para Firenze. Tenho muito o que fazer amanhã.

Beijos para vocês. Nao se preocupem que eu estou bem, um pouco de tosse, mas nada demais.

Murilo

...

Mandei dois e-mails, em diferentes horários, sobre o nono dia. Confira o segundo e mais completo:

Ciao de novo

Nono dia na Italia (agora sim). Escrevo esta mensagem na cozinha da casa de meu amigo Vanni, em Firenze. A mãe dele preparou um paio de coisas para nós comermos. Tomei um banho, um chá quente e agora vou dormir. O dia foi de andanças em Bologna e, quando chegamos em Firenze, Vanni, que me recebeu na rodoviária, disse que morava perto. Caminhamos um monte, eu com minhas malas pesadas (por que trouxe tanta coisa?). Va benne, ossos do ofício.

Amanhã, vou conhecer Firenze, a tão aguardada Firenze. Vanni esta me dando algumas dicas boas para o que ver. Vou pegar a água do Rio Arno, já que perdi a do Rio Pó. A cidade tá cheia de lugarzinhos legais, e, claro, Davi, de Michelângelo, e o Nascimento de Venus, de Botticelli. Imperdíveis

Momento constrangimento: eu com voz de cantor brega. E ainda posto aqui no blog...

Hoje, como havia dito, acordei com aquela voz de radialista, em Bologna. Fazia frio. A cidade é suja e as pessoas são apressadas. Todos fumam, falam no telefone e têm cachorro. Pensa num cara falando no celular, fumando e levando o cachorro para passear e, pronto, é este o italiano padrão. Chega a irritar. Apesar do trânsito movimentado, uma coisa interessante aqui é que os motoristas simplesmente param quando você pisa na rua. Não importa se o sinal está aberto ou não. Eles param. Hoje, um ônibus segurou uma fila de carros só para eu passar. Me senti importante.

 De todos os tamanhos, só dá cães nas ruas de Bologna.

Bologna tem lá o seu centrinho. As duas torres, a Igreja de San Petrônio, muito grande e interessante - tem um pêndulo de Foucault, um experimento do físico francês Jean Bernard Léon Foucault para mostrar que a terra gira em torno dela mesma, o movimento de rotação. Dentro de uma igreja! Isso, um experimento científico em uma igreja. Incrível. Aliás, Bologna respira conhecimento. É de lá a primeira universidade do mundo ocidental, datada de 1088. O pessoal ainda estuda lá. Nas ruas têm muitas livrarias e cafés para ler e conversar. Muitas lojas de roupas também para os jovens estudantes da cidade.

Cenas de Bologna: estudantes ao celular, arte na rua e cães.

A Piazza Maggiore tem ainda uma estátua/fonte de Netuno e um monumento dedicado às vítimas do fascismo. Mas eu não estava com muito saco. Caminhei meio sem rumo, com a garganta ferrada. Tomei os chazinhos e protegi bem a garganta com uma echarpe, mas se ela estiver inflamada vou ter que entrar no esquema do antibiótico. Sei porque aconteceu isso: em Venezia, no primeiro dia, a água subiu um monte e tomou algumas ruas. Eles colocam passarelas e protetores das portas quando isso acontece. Soa um alarme e tals. Quando voltei para o hostel, o caminho estava todo cheio da água e fiquei um bom tempo caminhado sob a água gelada. Foi isso.

Ao fundo, estátua de Netuno, na Piazza Maggiore.

Em Bologna, aprendi que devo usar Lei ao invés de tu, é uma regra de formalidade que a gente acaba deixando de lado, mas que esses italianos fazem questão. Pode até não falar per favore, mas precisa do Lei. Acho que é por isso que o pessoal tem sido tão grosso, heehhehe.

Igreja de San Petronio, na Piazza Maggiore.

Bem, depois caminhar um saco de horas e de ter desistido de voltar ao Pó para pegar a água, fui ao hostel e fiquei lá um tempo, esperando dar o tempo. Me encontrei com o Vanni na estação, as nove horas. Ele chegara de Milano (eu o conheci lá, ele é amigo do Tommy, que me hospedou em Milano, lembra?). E agora estamos aqui na casa dele.

A mãe de Vanny é uma graça. Arrumou a minha cama e me ajeitou uma toalha tão grande que dá para secar o pé e a cabeça ao mesmo tempo. "Mas é rosa", disse ela. Eu falei: "e lá tenho problema com a cor da toalha". Aí ela foi para a sala e ficou buscando um canal que fale português. E gritava para Vanny perguntando. E Vanny respondia: "Mamma, Al Jazira é árabe". "Deutsche Welle é tedesco (alemão)". Muito engraçado.

Mas deu, agora vou para a cama, porque amanhã tem muito o que fazer,

Beijão,

Murilo

segunda-feira, 23 de abril de 2012

As donzelas de Ticiano

Fui ao Masp outro dia. Bonita a coleção, não conhecia. Mas olhar retratos de fidalgos em pose de "me dei bem na vida" (uma espécie de Caras de séculos atrás) faz a gente pensar.

Estava lá apreciando os olhos esbugalhados pintados por Rafael, as displicentes pinceladas de Rembrandt, os traços carregados de Van Gogh. Percebi que estas obras só chegaram até nós porque algum mané cheio da grana da época pagou por ela.

Imagine a cena: o boa vida chama de lado Tiziano e faz a encomenda do retrato.


- Mas eu prefiro pintar donzelas colhendo flores na beira do lago, reclama o artista.
- Pois bem, meu bom homem, desdém o mecenas, vê lá quanto vão te oferecer as tais moçoilas.

Assim, séculos mais tarde, lá estou eu no Masp apreciando figuras de homens bem sucedidos sob a ótica de gênios. Não importa se estes caras, os retratados, eram heróis de suas épocas ou se batiam nas esposas em casa após a última caça à raposa. O importante é que eles tinham grana para serem imortalizados.

E as donzelas de Tiziano ainda o esperam na beira do lago.

domingo, 22 de abril de 2012

Dia 8: A garganta começa a incomodar

Ciao Bello,

A bela vista de Venezia. Vou sentir saudades [veja o vídeo]

Oitavo dia na Italia (22/02). E eu com a garganta ferrada. Fiquei um dia a mais em Venezia para poder ver a igreja San Marco de perto, mas deixei quieto. Acabei indo para outros lugares com meus amigos americanos. E, no meio da tarde, peguei o trem para Bologna. Estava mal. Minha garganta doía e eu comprei uns chás para ir tomando ao longo do dia. Deu uma melhorada, mas hoje (nono dia) acordei com voz de cantor de musica brega, ou de radialista.


 O quarteto de americanos e nossa última volta por Venezia

No trem, vim conversando com um estudante de medicina de Ferrara. Passei sobre o rio Pó e penso em voltar duas cidades só para pegar a agua do rio. Cheguei aqui em Bologna a noite, meus dois contatos de CouchSurfing tinham falhado. Nao tinha lenço nem documento, quer dizer, isso até tinha, mas nao tinha lugar para ficar. Chovia fino e estava escuro. Andei com as mil malas em busca de hostel. Não existe, cá em Bologna. Acabei passando por três albergues e ficando no terceiro: 40 euros, uma facada, e sem o clima bom de hostel.


Quase que fui a Firenze, mas meu contato de lá nao poderia me receber ontem (22). Vai me receber hoje. Deitei na cama, dormi um par de horas e acordei para, de noite, dar uma volta ao centro. Minha garganta ainda dói e tusso bastante. Quem sabe em casa de família, em Firenze, posso receber um pouco mais de ajuda.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Dia 7: Calmaria nas ilhas de Venezia

Ciao pappa, Ciao mamma

Uma semana na Itália (21/02). Um dia sozinho, cheio de coisas para explorar, mas um pouco deprê por voltar estar comigo mesmo. Os meus amigos americanos foram para Milano, passar o dia lá. Acordaram cedo, os coitados. Também acordei e fui tomar um café. Veneza é cara, um trocinho de nada e minha conta já estava em sete euros. Então peguei um ônibus (ops, ônibus não, um barco) e fui para uma das ilhas próximas a Venezia.

Ilha de Murano, um dos pontos visitados em meu dia sozinho

O sistema de transporte aqui é interessante, porque como toda cidade as pessoas precisam ir e vir. Os barcos funcionam exatamente como ônibus: você paga a passagem, espera no ponto. É bem fácil se locomover pelos principais pontos de Veneza e pelas ilhas do entorno. A polícia e as ambulâncias, claro, são também embarcações.

Em Venezia, barcos para turistas e moradores compartilham aos mesmos canais

Então fui para o Lido, uma espécie de ilha comprida, que protege Venezia do mar Adriático. É assim, seria como se a região de Veneza fosse uma baía, protegida pela Lido. E a cidade toda ceifada por canais (e eu pensava que Venezia fosse construída artificialmente sobre pau a pique, heheheh). Na ilha do Lido, silêncio e calmaria. Totalmente diferete de Venezia, lá é uma ilha residencial, cheia de velhinhos ou pessoas com seus cães grandes. Muito interessante, quando me aposentar vou morar lá.


Em Lido, senhores caminham por ruas calmas. Lugar para minha aposentadoria

Fui até a praia, tinha uma placa dizendo que o acesso à ela estava permitido! (tem portão para chegar à praia e algumas são particulares). Vi pela primeira vez o Mar Adriático, aquele que no passado servia de vazão do comércio de Venezia com os orientais, quando a cidade era uma riquíssima república ultramariana. Lindo o mar. Sentei em umas rochas e fiquei curtindo o som das ondas, o silêncio. Depois conversei com um casal de velhinhos italianos, Francesco, de 91 anos, e Rosseta, 90. Perguntei sobre meu italiano e ele respondeu "se fai capire" (se faz compreender). Adorei.



"Spiagia Libera", aqui, as praias têm portão. Abaixo, Francesco e Rosseta

Andei mais pela praia, tinha a mulher brincando com sua cachorra, alguns turistas catando conchinhas e tirando fotos. Na cidade, uma mulher tentava conter seu cachorro gigante que queria correr atrás das gaivotas. Peguei então outro barco para a ilha de Murano, conhecida pelos lindíssimos artesanatos em vidro. Ilha interessante também, com muitos canais, como em Venezia. E cheia de lojas de artesanato. Tudo beeeem caro. Os turistas adoram. Em uma parte, parecia uma cidade abandonada. Novamente o silêncio.


Italianos adoram cães. No dia de sol, mulher brinca com sua cadelinha


Aí voltei para Venezia. Ja era tarde e eu sequer tinha entrado na Basílica de San Marco, a principal de Venezia. Fiquei horas para chegar a Basília. Andei pelas ruelas apertadas da cidade, uma mais estranha que a outra. Parece outro planeta. Também passei pelo hospital, encontrei um professor de artes que me deu dicas dos melhores lugares para fotografar. Mas minha máquina tinha morrido de vez. Consegui fazer algumas boas com a máquina 2. E cheguei à basílica após o horário de fechamento.


A bela Murano, famosa pelo artesano em vidro e as vezes erma em algumas áreas

Para chegar a Piazza San Marco, o principal atrativo de Venezia, a gente vai seguindo nas paredes as plaquinhas "Per San Marco", ou "Per Rialto"(a principal ponte, sobre o Grande Canal). Fui seguindo e me perdi. Quando cheguei já era noite e não pude conhecer a igreja. A máquina deu uma ressuscitada no escuro e, com a ajuda do tripé, fiz umas fotos noturnas interessantes. Aí voltei para o hostel, comprei o bilhete do trem para Bologna e fiquei esperando dar o horário.


Fim do sétimo dia na Itália. Noite na Piazza San Marco

Aí aconteceu o imprevisto. Meu trem chegaria as 2 da madrugada em Bologna, péssimo horário. Como eu ficara um dia a mais em Venezia, o pessoal que ia me receber em Bologna não pôde mais. Tinha dois contatos, os dois disseram não. Aí, entre ir para Bologna e fica buscando um hostel de madrugada, e ficar uma noite mais em Venezia, preferi a segunda opção. Os dois americanos voltaram de Milano, agora, manhã do outro dia, e vamos conhecer a basílica. Vou para Bologna no começo da tarde e só vou passar algumas horas lá. Acho que vou direto para Firenze. Lá tenho Couch Surfing.

A beleza de Venezia

Bem, agora preciso ir. Os americanos estão se enrolando para se arrumar (por isso que gosto de viajar sozinho, heehhehe). Vamos tomar um café e caminhar mais uma vez “per San Marco”. Ver no que que dá. Nosso próximo contato possivelmente será de Firenze.

Beijo mamma, beijo babo

Ci vediamo,

Murilo

PS: Sobre Paris, é tentador né. Numa dessas eu iria antes de ir para Roma e passaria meu aniversário lá.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Carta extra: Pergunta aos retratistas

Quando viajei em 2012, não enviei e-mails só aos meus pais. "Cartas da Itália" faz uma pausa na cronologia e apresenta uma carta aos colegas de trabalho, os jornalistas e repórteres fotográficos da Divisão de Imprensa da Itaipu Binacional. Muita coisa se repete e resume minha passagem por Milano, Verona e a chegada em Venezia. Tive que retirar uma ou outra frase por se tratarem de assuntos de trabalho. A essência segue abaixo.


Oi pessoal, tudo bem?

Estou em Venezia, louco por um banho (o pessoal toma um a cada dois ou três dias, mas vou tentar seguir o padrão brasileiro) e comer alguma coisa (estou o dia todo com o catzo de uma broscheta e um brioche no estômago). Meus pés dóem de tanto andar e hoje tive um dia de sapo: choveu o tempo todo em Verona. Maldita Verona. Mas agora é a vez de Venezia.

Verona e seus guarda-chuvas abertos

A maledetta máquina tá dando um pau atrás do outro. E aí, pergunto aos amigos retratistas: o que seria? A Cannon está dando erro quando tento fazer algumas fotos, ela não movimenta o espelho e diz que deu erro. Pela lógica que eu vi, é quando eu uso a lente muito aberta (antes era abaixo de 24mm, mas agora ela tá reclamando até abaixo de 35mm). Aí eu olho aquela puta paisagem, abro em 17mm e dá erro. Aí fecho em 35mm e ela faz a foto. Outro padrão, me parece, é que quando tem muita luz, tipo uma paisagem com céu claro. Porque outra hora eu estava fotografando aberto, dentro de casa, e ela funcionou. Mas outras horas, não. Quase comprei uma Nikon portátil por 199 euros (daquelas bem boas, zoom ótico de 10X, 10 megpixels etc – a Panasonic com lente laica, 10 megapixels, está 179 euros). Arrependi-me de não ter comprado a 7D aí no Brasil...

Cena no Cimiterio Monumentale

Bem, cheguei a Milano depois de uma longa viagem, de passar pela simpatia da alfândega em Madri, e de conhecer simpáticas (estas, se, ironia) brasileiras no péssimo voo internacional (a holandesa KLM dá de 10 na espanhola Ibéria). Em Milano, conheci os principais pontos. Do Duomo, a igreja mais linda que já vi, ao Castelo Sforzesco, passando pelo Cimiterio Monumentale. Milano é uma cidade grande, bem bonita. Estava frio, mas o calor do pessoal que me recebeu foi ótimo. Se receber pessoas pelo CouchSurfing já é bom, ser hospedado é melhor ainda. Fiquei na casa de três estudantes, jantamos tipicamente italiano e, no último dia, saímos em um bar onde você compra os vinhos e fica degustando uns petiscos. Ótimo.

Il Castello Sforzesco

Aí resolvi dar uma passada em Verona. O dia tinha aberto, sol em Milão. Ia começar um interessante espetáculo de palhaços de quatro dias na piazza del Duomo, e o palhaço aqui com uma câmera que não funciona nas mãos. "Catzo!", estava puto. Peguei o metro e fui embora. Em Verona, sem CS, sem hostel. Demorei para achar uma lan house (não existe internet em Verona) e depois demorei e não achei um hostel. Fiquei em um hotel furreca. Para amanhecer hoje debaixo de chuva.

Despedida de Milano com festival de palhaços

Verona é interessante, e, como se tomasse um expresso troppo caldo, queimei a língua. Esbravejara contra a cidade no dia anterior e no dia atual. Mas ela é linda. Mesmo debaixo de chuva. Choveu o dia todo, como em Curitiba, aquela chuva chata que não chove, só molha. Um inferno. Comprei um guarda-chuva, "ma che!", Verona soprou o vento forte para não deixar nenhum guarda-chuva aberto em toda a cidade. Seria até engraçado se eu não tivesse no meio. Até tentei tirar fotos das pessoas e seus guarda-chuvas-com-vontade-própria, mas a máquina... Deixa pra lá.

Chuva em Verona. E minha máquina capenga. Ajuda aos retratistas

Aí fui andar pela cidade. Tem a Arena, um coliseu menor que o famoso, bacaninha; tem a torre da cidade, com uma vista linda; tem a Castelvecchio, cheio de museus históricos e repletos de pinturas renascentistas.  Andei ainda por uma rua cheia de lojas famosas (Benetton, Gucci, Louis Vuitton). Pati, amiga, você iria morreeeeer, eheheh. Passei pela belíssima ponte do castelo e sobre o lindíssimo Rio Adige (do qual, claro, peguei uma amostra de água). E fui à casa de Julieta (em Verona tem até o túmulo da criação shakesperiana, coisa para pegar turista asiático, eu não).

Primeira noite em Venezia: soa um alarme estranho


Aí corri e dei a Murilada do dia: quase perdi o trem para Venezia, mas usei o charme e a cara número 57 (aquela, de turista brasileira perdido) para conseguir uma carona até a rodoviária. Depois a usei a 58 para deixar o pessoal da fila do fast ticket (a máquina onde compramos o bilhete do trem) me deixar passar a frente. E cá estou, cansado e com fome, mas pronto para o dia de amanhã, que promete.

Beijão geral (para homens e mulheres, que não sou cara de frescuras). Vamos nos falando. Qualquer emergência, meu celular está funcionando. Agora me vou, começou a apitar uns alarmes loucos aqui na cidade, acho que Venezia está afundando...

Murilo (glub, glub, glub)

PS: Não, eu não revisei o e-mail...