Estava nervoso com a intransigência da mulher na lan house. Passei um puta estresse logo cedo para salvar as fotos em um CD. O sabor do café da manhã se tornara amargo diante de minha raiva. Marco só observava enquanto eu chutava pedrinhas pelas ruas de Ollanta. “Murilo, basta de reclamar”, repreendeu-me. Às vezes é difícil controlar esta fúria que me toma quando algo me emputece. É com se ela assumisse o controle. Aí eu saio do sério mesmo. Não xingo nem falto com respeito, mas elevo o tom. Fico puto, chato.
Enquanto eu chutava pedrinhos, o cão peruano, alheio, dava de ombros
As ruas de Ollanta, ainda cheias das pedras incas
A cidade, aliás, é o próprio sítio. As casas guardam a estrutura inca, com as paredes de pedras e telhados modernos. As ruas são as mesmas por onde andou o povo antigo. Caminhamos e vimos garotos vestindo trajes típicos – turistas desavisados sacavam fotos e eram cobrados em seguida “Ahora, me pagas”. Nós passamos direto.
Ahora me pagas! Não paguei
Bonito o sítio de Ollantaytambo, todo em uma encosta de montanha. A cidade era um posto militar dos incas, mas também um complexo religioso, administrativo e agrícola. E, como toda a região, está cheia de simbolismo. De alguns pontos lá de cima, vimos traços na montanha de frente que lembram rostos humanos.
Na montanha, o rosto de um velho é um dos vários simbolismos
Em uma pedra, o imperador Pachacutec sentava-se voltado para o sol que, no solstício de inverno (21 de junho), nascia exatamente atrás da silhueta de um rosto, na montanha. E por aí vai.
Marquito na escadaria e descansando
O dia de Ollanta, na verdade foi dividido em dois. Tínhamos ainda círculos e águas salinas para conhecer. Próxima parada: o povoado de Maras e suas histórias.
