Foi com este estado de espírito que paguei a diária do hostel na primeira noite em Estocolmo, na verdade a primeira noite bem dormida na Europa. Lembro do Enio tentando me consolar, diante da possibilidade de minha viagem ter chegado ao fim: “Você pode comprar novas roupas em brechós. Dizem que é super barato aqui na Europa”, disse. O que ele não sabia é que eu ainda esperava receber a mala de volta.
Enfim, fomos para o quarto do hostel que ficava, pasmem, sobre as águas. É isso aí, ficamos hospedados em um hostel dentro de um navio. Show de bola. Ancorado no canal de frente para o castelo onde mora a realeza sueca, inclusive a brasileiríssima rainha Sílvia, nossa vizinha de quarto.
A paisagem era de arrasar – não aproveitei quando cheguei porque estava puto, mas pela manhã pude ver bem. No grande canal, alguns navios maiores que o nosso se enfileiravam e, na outra margem, a sempre belíssima arquitetura de Estocolmo: castelos e construções multicoloridas.
Abandonar o navio
O banho quente foi uma dádiva, mas eu precisava acessar a internet. Busquei um wi-fi no navio, só que a tomada era de outro mundo – somente em Berlim eu comprei um adaptador, e até lá fiz minhas gambiarras. Meio que no estilo MacGyver, destruí um adaptador antigo amarrando com pedaços de sacola plástica e apoiando na parede com uma bermuda. Consegui ligar o notebook.
Até aí tudo bem. Só que aquela era minha única bermuda. Quando fui pegá-la paa usar, provoquei um curto-circuito que derrubou a chave de luz do quarto. “Imagine se você bota fogo no navio”, sugeriu o Enio.
Resultado: não consegui wi-fi (explicam-se as não atualizações lá da Europa) e derrubei a luz. Dormimos aquele dia como anjos, mas no escuro.
Adeus Estocolmo
Não conhecemos o Museu do Prêmio Nobel por dentro, mas foi show de bola a recepção na prefeitura de Estocolmo. Um cara cheio de medalhas e pose de fidalgo nos recebeu. Era o prefeito.
Seria redundante dizer, mas eu não resisto. A prefeitura de Estocolmo é belíssima. Conhecemos também a câmara dos vereadores, e alguns salões onde realizam cerimônias como a entrega do Nobel. O Salão Dourado, todo decorado com mosaicos e vitrais lindos, é guardado pela deusa que simboliza a cidade de Estocolmo. A torre construída em 1911 é uma imitação fiel de outra existente em Copenhague. Mas para manter acesa a chama da rivalidade, a torre sueca é um metro mais alta que a dinamarquesa. E o jardim em frente à prefeitura é repleto de estátuas, e fica diante do canal.Aquelas eram nossas últimas horas na bela Estocolmo. Lugar onde o Brasil triunfou pela primeira vez na Copa do Mundo, em 1958, e onde o meio ambiente ganhou ares institucionais e o conceito de sustentabilidade foi criado, na conferência de 1978. Por dois dias fomos seqüestrados por esta cidade e, só para aproveitar o termo conhecido, desenvolvemos a Síndrome de Estocolmo: nos apaixonamos por nosso algoz.
Mas o passeio pela Suécia continua em Malmö, onde ocorreu a conferencia. O Enio, o Juttel e eu pegamos um trem que atravessou o país rumo ao Sul, naquela cidade portuária. Viagem tranqüila e bastante interessante.
E eu ainda sem minha bagagem.














