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domingo, 22 de abril de 2012

Dia 8: A garganta começa a incomodar

Ciao Bello,

A bela vista de Venezia. Vou sentir saudades [veja o vídeo]

Oitavo dia na Italia (22/02). E eu com a garganta ferrada. Fiquei um dia a mais em Venezia para poder ver a igreja San Marco de perto, mas deixei quieto. Acabei indo para outros lugares com meus amigos americanos. E, no meio da tarde, peguei o trem para Bologna. Estava mal. Minha garganta doía e eu comprei uns chás para ir tomando ao longo do dia. Deu uma melhorada, mas hoje (nono dia) acordei com voz de cantor de musica brega, ou de radialista.


 O quarteto de americanos e nossa última volta por Venezia

No trem, vim conversando com um estudante de medicina de Ferrara. Passei sobre o rio Pó e penso em voltar duas cidades só para pegar a agua do rio. Cheguei aqui em Bologna a noite, meus dois contatos de CouchSurfing tinham falhado. Nao tinha lenço nem documento, quer dizer, isso até tinha, mas nao tinha lugar para ficar. Chovia fino e estava escuro. Andei com as mil malas em busca de hostel. Não existe, cá em Bologna. Acabei passando por três albergues e ficando no terceiro: 40 euros, uma facada, e sem o clima bom de hostel.


Quase que fui a Firenze, mas meu contato de lá nao poderia me receber ontem (22). Vai me receber hoje. Deitei na cama, dormi um par de horas e acordei para, de noite, dar uma volta ao centro. Minha garganta ainda dói e tusso bastante. Quem sabe em casa de família, em Firenze, posso receber um pouco mais de ajuda.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Dia 7: Calmaria nas ilhas de Venezia

Ciao pappa, Ciao mamma

Uma semana na Itália (21/02). Um dia sozinho, cheio de coisas para explorar, mas um pouco deprê por voltar estar comigo mesmo. Os meus amigos americanos foram para Milano, passar o dia lá. Acordaram cedo, os coitados. Também acordei e fui tomar um café. Veneza é cara, um trocinho de nada e minha conta já estava em sete euros. Então peguei um ônibus (ops, ônibus não, um barco) e fui para uma das ilhas próximas a Venezia.

Ilha de Murano, um dos pontos visitados em meu dia sozinho

O sistema de transporte aqui é interessante, porque como toda cidade as pessoas precisam ir e vir. Os barcos funcionam exatamente como ônibus: você paga a passagem, espera no ponto. É bem fácil se locomover pelos principais pontos de Veneza e pelas ilhas do entorno. A polícia e as ambulâncias, claro, são também embarcações.

Em Venezia, barcos para turistas e moradores compartilham aos mesmos canais

Então fui para o Lido, uma espécie de ilha comprida, que protege Venezia do mar Adriático. É assim, seria como se a região de Veneza fosse uma baía, protegida pela Lido. E a cidade toda ceifada por canais (e eu pensava que Venezia fosse construída artificialmente sobre pau a pique, heheheh). Na ilha do Lido, silêncio e calmaria. Totalmente diferete de Venezia, lá é uma ilha residencial, cheia de velhinhos ou pessoas com seus cães grandes. Muito interessante, quando me aposentar vou morar lá.


Em Lido, senhores caminham por ruas calmas. Lugar para minha aposentadoria

Fui até a praia, tinha uma placa dizendo que o acesso à ela estava permitido! (tem portão para chegar à praia e algumas são particulares). Vi pela primeira vez o Mar Adriático, aquele que no passado servia de vazão do comércio de Venezia com os orientais, quando a cidade era uma riquíssima república ultramariana. Lindo o mar. Sentei em umas rochas e fiquei curtindo o som das ondas, o silêncio. Depois conversei com um casal de velhinhos italianos, Francesco, de 91 anos, e Rosseta, 90. Perguntei sobre meu italiano e ele respondeu "se fai capire" (se faz compreender). Adorei.



"Spiagia Libera", aqui, as praias têm portão. Abaixo, Francesco e Rosseta

Andei mais pela praia, tinha a mulher brincando com sua cachorra, alguns turistas catando conchinhas e tirando fotos. Na cidade, uma mulher tentava conter seu cachorro gigante que queria correr atrás das gaivotas. Peguei então outro barco para a ilha de Murano, conhecida pelos lindíssimos artesanatos em vidro. Ilha interessante também, com muitos canais, como em Venezia. E cheia de lojas de artesanato. Tudo beeeem caro. Os turistas adoram. Em uma parte, parecia uma cidade abandonada. Novamente o silêncio.


Italianos adoram cães. No dia de sol, mulher brinca com sua cadelinha


Aí voltei para Venezia. Ja era tarde e eu sequer tinha entrado na Basílica de San Marco, a principal de Venezia. Fiquei horas para chegar a Basília. Andei pelas ruelas apertadas da cidade, uma mais estranha que a outra. Parece outro planeta. Também passei pelo hospital, encontrei um professor de artes que me deu dicas dos melhores lugares para fotografar. Mas minha máquina tinha morrido de vez. Consegui fazer algumas boas com a máquina 2. E cheguei à basílica após o horário de fechamento.


A bela Murano, famosa pelo artesano em vidro e as vezes erma em algumas áreas

Para chegar a Piazza San Marco, o principal atrativo de Venezia, a gente vai seguindo nas paredes as plaquinhas "Per San Marco", ou "Per Rialto"(a principal ponte, sobre o Grande Canal). Fui seguindo e me perdi. Quando cheguei já era noite e não pude conhecer a igreja. A máquina deu uma ressuscitada no escuro e, com a ajuda do tripé, fiz umas fotos noturnas interessantes. Aí voltei para o hostel, comprei o bilhete do trem para Bologna e fiquei esperando dar o horário.


Fim do sétimo dia na Itália. Noite na Piazza San Marco

Aí aconteceu o imprevisto. Meu trem chegaria as 2 da madrugada em Bologna, péssimo horário. Como eu ficara um dia a mais em Venezia, o pessoal que ia me receber em Bologna não pôde mais. Tinha dois contatos, os dois disseram não. Aí, entre ir para Bologna e fica buscando um hostel de madrugada, e ficar uma noite mais em Venezia, preferi a segunda opção. Os dois americanos voltaram de Milano, agora, manhã do outro dia, e vamos conhecer a basílica. Vou para Bologna no começo da tarde e só vou passar algumas horas lá. Acho que vou direto para Firenze. Lá tenho Couch Surfing.

A beleza de Venezia

Bem, agora preciso ir. Os americanos estão se enrolando para se arrumar (por isso que gosto de viajar sozinho, heehhehe). Vamos tomar um café e caminhar mais uma vez “per San Marco”. Ver no que que dá. Nosso próximo contato possivelmente será de Firenze.

Beijo mamma, beijo babo

Ci vediamo,

Murilo

PS: Sobre Paris, é tentador né. Numa dessas eu iria antes de ir para Roma e passaria meu aniversário lá.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Carta extra: Pergunta aos retratistas

Quando viajei em 2012, não enviei e-mails só aos meus pais. "Cartas da Itália" faz uma pausa na cronologia e apresenta uma carta aos colegas de trabalho, os jornalistas e repórteres fotográficos da Divisão de Imprensa da Itaipu Binacional. Muita coisa se repete e resume minha passagem por Milano, Verona e a chegada em Venezia. Tive que retirar uma ou outra frase por se tratarem de assuntos de trabalho. A essência segue abaixo.


Oi pessoal, tudo bem?

Estou em Venezia, louco por um banho (o pessoal toma um a cada dois ou três dias, mas vou tentar seguir o padrão brasileiro) e comer alguma coisa (estou o dia todo com o catzo de uma broscheta e um brioche no estômago). Meus pés dóem de tanto andar e hoje tive um dia de sapo: choveu o tempo todo em Verona. Maldita Verona. Mas agora é a vez de Venezia.

Verona e seus guarda-chuvas abertos

A maledetta máquina tá dando um pau atrás do outro. E aí, pergunto aos amigos retratistas: o que seria? A Cannon está dando erro quando tento fazer algumas fotos, ela não movimenta o espelho e diz que deu erro. Pela lógica que eu vi, é quando eu uso a lente muito aberta (antes era abaixo de 24mm, mas agora ela tá reclamando até abaixo de 35mm). Aí eu olho aquela puta paisagem, abro em 17mm e dá erro. Aí fecho em 35mm e ela faz a foto. Outro padrão, me parece, é que quando tem muita luz, tipo uma paisagem com céu claro. Porque outra hora eu estava fotografando aberto, dentro de casa, e ela funcionou. Mas outras horas, não. Quase comprei uma Nikon portátil por 199 euros (daquelas bem boas, zoom ótico de 10X, 10 megpixels etc – a Panasonic com lente laica, 10 megapixels, está 179 euros). Arrependi-me de não ter comprado a 7D aí no Brasil...

Cena no Cimiterio Monumentale

Bem, cheguei a Milano depois de uma longa viagem, de passar pela simpatia da alfândega em Madri, e de conhecer simpáticas (estas, se, ironia) brasileiras no péssimo voo internacional (a holandesa KLM dá de 10 na espanhola Ibéria). Em Milano, conheci os principais pontos. Do Duomo, a igreja mais linda que já vi, ao Castelo Sforzesco, passando pelo Cimiterio Monumentale. Milano é uma cidade grande, bem bonita. Estava frio, mas o calor do pessoal que me recebeu foi ótimo. Se receber pessoas pelo CouchSurfing já é bom, ser hospedado é melhor ainda. Fiquei na casa de três estudantes, jantamos tipicamente italiano e, no último dia, saímos em um bar onde você compra os vinhos e fica degustando uns petiscos. Ótimo.

Il Castello Sforzesco

Aí resolvi dar uma passada em Verona. O dia tinha aberto, sol em Milão. Ia começar um interessante espetáculo de palhaços de quatro dias na piazza del Duomo, e o palhaço aqui com uma câmera que não funciona nas mãos. "Catzo!", estava puto. Peguei o metro e fui embora. Em Verona, sem CS, sem hostel. Demorei para achar uma lan house (não existe internet em Verona) e depois demorei e não achei um hostel. Fiquei em um hotel furreca. Para amanhecer hoje debaixo de chuva.

Despedida de Milano com festival de palhaços

Verona é interessante, e, como se tomasse um expresso troppo caldo, queimei a língua. Esbravejara contra a cidade no dia anterior e no dia atual. Mas ela é linda. Mesmo debaixo de chuva. Choveu o dia todo, como em Curitiba, aquela chuva chata que não chove, só molha. Um inferno. Comprei um guarda-chuva, "ma che!", Verona soprou o vento forte para não deixar nenhum guarda-chuva aberto em toda a cidade. Seria até engraçado se eu não tivesse no meio. Até tentei tirar fotos das pessoas e seus guarda-chuvas-com-vontade-própria, mas a máquina... Deixa pra lá.

Chuva em Verona. E minha máquina capenga. Ajuda aos retratistas

Aí fui andar pela cidade. Tem a Arena, um coliseu menor que o famoso, bacaninha; tem a torre da cidade, com uma vista linda; tem a Castelvecchio, cheio de museus históricos e repletos de pinturas renascentistas.  Andei ainda por uma rua cheia de lojas famosas (Benetton, Gucci, Louis Vuitton). Pati, amiga, você iria morreeeeer, eheheh. Passei pela belíssima ponte do castelo e sobre o lindíssimo Rio Adige (do qual, claro, peguei uma amostra de água). E fui à casa de Julieta (em Verona tem até o túmulo da criação shakesperiana, coisa para pegar turista asiático, eu não).

Primeira noite em Venezia: soa um alarme estranho


Aí corri e dei a Murilada do dia: quase perdi o trem para Venezia, mas usei o charme e a cara número 57 (aquela, de turista brasileira perdido) para conseguir uma carona até a rodoviária. Depois a usei a 58 para deixar o pessoal da fila do fast ticket (a máquina onde compramos o bilhete do trem) me deixar passar a frente. E cá estou, cansado e com fome, mas pronto para o dia de amanhã, que promete.

Beijão geral (para homens e mulheres, que não sou cara de frescuras). Vamos nos falando. Qualquer emergência, meu celular está funcionando. Agora me vou, começou a apitar uns alarmes loucos aqui na cidade, acho que Venezia está afundando...

Murilo (glub, glub, glub)

PS: Não, eu não revisei o e-mail...

domingo, 8 de abril de 2012

Dia 6: Novos amigos em Veneza

Oi Mamma, e pappa, tudo bem?

Sexto dia na Itália (20/02). Estou um pouco cansado. Acabamos de chegar de um barzinho e vou para cama. Amanhã, o dia vai ser longo – meus novos amigos viajam cedo e eu quero acordar em igual horário para aproveitar o dia. Hoje foi muito legal em Veneza, não somente por causa da cidade, mas pela companhia.

O dia em que molhei os pés. Me arrependi por boa parte da viagem

Lembro que quando viajei sozinho pela América Latina, não reclamava de estar sozinho, já que a todo momento encontrava amigos para seguir viagem comigo. Estava aguardando que isso acontecesse nesta viagem a qualquer momento, mas é mais difícil por ser Europa, acho. Então resolvi ajudar. Ontem, quando cheguei em Venezia aconteceu algo que ocorre umas cinco vezes por ano, e, pela primeira vez este ano: a água começou a invadir a cidade.

Dia inteiro andando pela terra das gôndolas

Veneza com a água onde deve estar: nos canais

É realmente interessante: toca um alarme quando a água sobe – eu ouvi o alarme disparar quando escrevia outro email [leia aqui]. Aí, as pessoas começam a se preparar. Colocam as bombas de drenagem para trabalhar e umas proteções em frente às lojas. Estas estruturas já estão lá, são mini portas de metal que sobem para barrar a entrada da água. Então, são colocadas passarelas em toda a cidade para permitir que o pessoal caminhe e os vendedores, com suas botas altas, ficam bombeando a água pra fora de seus estabelecimentos. Foi neste cenário que eu conheci meus dois primeiros amigos de viagem.

Tommy, o casal Kaylen e Roger e o Kyle: novos amigos

Tinha visto o Kyle e o Thomas quando eu fazia o check-in no hostel. Dois americanos que moram no Sul da França para estudar o idioma. Eu vi os dois tomando sorvete em uma gelatteria e fui pra lá também. Como sempre, puxei conversa. "Vocês não vão conseguir chegar ao hostel com estes tênis baixos aí”, disse em inglês apontando para All Star deles. Aí ficamos batendo papo um monte, eles voltaram para o hotel e eu fui sacar algumas fotos.

Fotos. Só não sei o que é

Para chegar ao hostel, enfrentei um rio. Encharquei meu tênis. Tomei um banho de rei e fui dormir. Estava preocupado porque achava ter perdido as chaves – teria que pagar 50 euros por isso. Não consegui dormir. Até mudei de quarto, por causa do ronco insisistente de um cara da cama ao meu lado. Dormi. No outro dia, o cara da recepção disse que minha chave estava segura – eu tinha deixado cair no hall de entrada.

Vitrine com massas. Algo quente em um dia gelado

Tommy me viu pela manhã e me convidou para sair com eles. Kyle estava com outos dois amigos, o Roger e a namorada. Fomos tomar café da manhã. Andamos o dia todo. Estava realmente frio, mas pudemos sentir um pouco de o que é Venezia. Eu sempre tive uma ideia errada: como se fossem uma cidade construída meio no improviso sobre a água. Não é. Venezia é uma cidade normal, mas repleta de canais. E é linda. As ruazinhas, as praças, o grande canal com sua ponte de Rialto, a mais linda de todas. Andamos de verdade por calçadas pequeninas, nos perdendo em lugares não turísticos. Experimentamos caffes e diferentes drinks, inclusive até agora pouco.

San Marco e Rialto, os dois pontos turísticos principais de Veneza

Foi muito bom, apesar do tempo chato que de novo não ajudou. Mas finalmente fazia uma coisa com amigos, da forma que estou acostumado a viajar: quando o programa com os amigos é melhor que a cidade em si [em La Paz, mudei meu roteiro para seguir a viagem com Marco e Ben]. Minha ideia era ver uma ópera, mas preferi ficar com eles. Fazia frio e o coitado com Kyle com roupa curta, mas o dia foi legal. Terminamos com um MacDonald, a embaixada americana na Itália e em qualquer outro lugar

 Na "embaixada americana", um Mac Itália

Agora a noite saímos os cinco para andar de novo. Antes disso, Tommy ficou em uma conversa profunda com outro americano. Catei o Kyle e viemos aqui na internet um pouco. Papo chato o de Tommy. Aí, saímos para a região da Margherita onde tem alguns bares. Experimentamos algumas bebidas e pulamos de bar em bar. E agora estou aqui.

Fim dia, bebidas e piadas sobre sardas: confundi os termos "freckles" (sardas) e "pimples"(espinhas de rosto) e disse "I like pimples". Eles: "No!"

O pessoal me convidou para passar alguns dias na França em uma cidade no Sul chamada Poo. Eu poderia conhecer Paris e outras cidades bonitas da França. Fique na dúvida. Porque não mudar totalmente minha organização de meses? É uma.

Bem, depois de um dia ótimo com amigos e tals, vou dormir. Amanhã quero visitar agumas ilhas próximas de Veneza e seguir viagem. Vai ser bom, pena que sem o pessoal. A noite, vou para Bologna.

E de lá, continuo a história.

Murilo