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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Dia 22: no duelo das catedrais, Monreal vence Palermo

Tô escrevendo este email dentro do trem para Cefalu. Escrevo para depois mandar para vocês. E sinto dizer, querido papai, amada mamma, mas vocês estão sendo usados. Escrevo este diário para depois me organizar e ficar mais fácil fazer os posts para o blog. Uahahahahahaha, como sou mau. Brincadeira, gosto de tê-los como meus dois leitores virtuais especiais. E falemos da viagem.

Vigésimo segundo dia na Itália (08/03). Vocês bem lembram da correria que foi chegar ao porto para pegar o navio. Um saco, mas esta é a história de minha vida. Correr para não perder trem/barco/ônibus/avião. Fazer o que? Irritava-me a lentidão dos metrôs e funiculares, mas cheguei em tempo, e tive que esperar para o navio sair.

No primeiro dia em Palermo, um pulo em Monrreale para ver a cidade de cima

Isso tudo está lá no final do 21º dia, mas vale lembrar. O navio é mó metido a besta, mas não tem lugar para o pessoal "ponte", isso é, que comprou o bilhete mais barato. Tem que ficar por ali no bar ouvindo músicas bregas e alguns temas brasileiros cantados em italiano. Comprei uma água, uma Nastro Azzurra (cerveja local) e fiquei matando tempo. Deixei minha bagagem na área das poltronas. Bati perna pelo navio, fui lá em cima ver o mar e ver Napoli ficar para trás, sempre sob a sombra onipresente e assustadora do vulcão Vesúvio. E fui dormir.

Ainda no navio, uma Nastro Azzurra no bar. Nada de glamour para os o pessoal "ponte"

Ao menos tentar, o cara do bar não parava de cantar e fazia bastante frio. Coloquei as duas jaquetas, tirei da mala mais um par de meias, enrolei nas pernas a bandeira do Brasil, botei a toca. Tirei da mochila uma almofadinha que comprei para a Isa, lá em Verona ainda, e dormi sobre ela. Estava até confortável.



O navio chegou cedinho a Palermo, seis e pouquinho, e, aí sim começamos nosso 22º dia. Tivemos que esperar os carros e caminhões saírem antes de sairmos (um adendo, agora enquanto escrevo estas linhas, aqui no trem, vejo paisagens fantásticas pela janela, a costa siciliana é linda). É estranho, a gente se engalfinhar entre caminhões até chegar ao elevador. Mas tudo bem.

Poser na frente do porto. Dica: coloque a máquina no banco para tirar foto de você mesmo

Deu a hora, saí com as malas pesadas. O esquema de sempre, coloca a mochila número um em uma poltrona (ou em qualquer lugar mais elevado), veste ela, passando as alças pelos braços, e levanta com as pernas. Sem esta técnica fica impossível e posso deslocar um ombro (exagerado?). Depois coloca a mochila 2 na frente, cuidando para o ajuste da alça ficar sobre a alça da mochila 1 e, nas mãos, a sacolinha, que me acompanha desde Veneza. Pronto para mais uma aventura? Então vamos lá.

Pela manhã, o centro de Palermo. Até aqui tem estes carrinhos minúsculos

Foi relativamente fácil achar um lugar para deixar a bagagem, no porto. Relativamente, porque fui até um cilo, ouvi um cara grosso até achar a estação marítima. Ok, fui atrás de um mapa. Com um mapa em mãos, sou semi-deus, faço o que eu quero em qualquer cidade do mundo. Caminhei pela via principal, o posto turístico estava fechado, então fiquei matando um tempo com uma pizzeta, un latte macchiato e lendo o jornal local: Palermo havia vencido a fraca equipe de Livorno por 1 a 0. Peguei o mapa, botei no bolso traseiro-direito da calça e fui bater perna. Andei por aqui, ali e lá também.

Redonda, a Chiesa del Santissimo Salvatore parece um teatro. Lá, encontrei uma alemã

Fiz boas fotos do mar, encontrei i quatri canti, um cruzamento de duas avenidas onde os quatro cantos são ornados por fontes (é uma cópia de outro que tem em Roma). Cheguei à belíssima Chiesa del Santissimo Salvatore, redonda como um teatro. Lá, conheci Eli.

A bela Catedral: bonita por fora, fria por dentro

Eli é alemã, estava batendo perna pela cidade. Divertida e engraçada a loira menina, foi um dia para conversar só em inglês. Fomos até a Cattedrale, linda por fora, simples e fria por dentro, e com influências árabes e normandas. Originalmente, a catedral era uma igreja bizantina até que, em 1185, o arcebispo de Palermo reformou a construção para competir com a beleza da catedral de Monreale (acho que ele saiu perdendo). Chegamos a uma outra praça, após visitarmos um castelo, e pegamos o ônibus para Monreale, uma cidade pequena, que fica sobre a montanha, perto de Palermo.

Alemães viajam de mais. Eli é uma prova disso. Parceira para um dia de passeio

Legal andar com Eli, ela é recém-formada em engenharia, assim com o seu namorado - sim, ela tem namorado (sem problemas, ela não fazia meu tipo, hehehe). Gente boníssima. Como eu, ela viaja sozinha. Não é comum uma ragazza viajando sozinho, Berlim-Palermo-Berlim. Há louco pra tudo.

Palermo vista de cima

Chegamos a Monreale, a igreja estava fechada. Hora da siesta, o sagrado descanso típico do sul da Itália. Demos um giro pelo chiostro, ou claustro, um lugar usado para clausura dos religiosos em suas meditações, que fica anexo à igreja. A Eli não pagou porque, oito de março, Dia da Mulher (como no resto do mundo, inclusive no Brasil). Legal o chiostro, também com influência normanda e árabe, cheio de colunas lindíssimas, com mosaicos pequeníssimos, arcos. Show.

Colocado depois: O Duomo di Monreale foi construído em 1174, por ordens do rei Guilherme II da Sicília. Ele é dedicada à Santa Maria Nuova. Diz a lenda que Guilherme adormeceu em um campo, sob uma árvore, e sonhou com a Virgem Maria. Ela lhe disse que ali estava escondido um grande tesouro que deveria ser usado para construir um templo em homenagem da santa. O local foi escavado e foi encontrado um tesouro em moedas de ouro, empregadas na construção do templo.

O belissimo chiostro da Cattedrale di Santa Maria Nuova. Influências normandas e árabes

Saímos do chiostro. Ainda tínhamos algum tempo antes da chiesa abrir para visitação. Um giro aqui, outro ali, fomos dar uma vista em Palermo por cima, bela paisagem. E manggiamos una pasta com vinho, indicação de um cara na rua. Eu, 4 formaggi e ela, alla capriciosa. Muito boa pasta. Paramos para comer doces sicilianos como a cassata, canolo e biscoito de mandorla. Simpática a mulher que nos ensinou o nome dos doces. Ela ficou tentando saber de onde eu sou, não matava pelo sotaque. E isso é bom.

Na panificadora com minha amiga, algumas cassatas e outros canolos

E fomos para igreja. Linda, diferente das outras. Dividida em três naves, toda cheia de mosaicos, o Cristo, posto em destaque em uma parede côncava, tinha os olhos que parecia nos seguir. Ficamos um pouco tempo lá, a historia de Adão e Eva, de Moisés, e outras passagens bíblicas contadas em mosaicos nas paredes da igreja. Fomos embora. De novo correria. Precisava pegar minha bagagem no porto, ia fechar em poucos minutos e eu dificilmente chegaria em tempo. Malditos ônibus, maldito trânsito. Preciso ir morar com o pai em uma chácara e ficar um ano sem ver carro. O que acha pai? Saí do ônibus e corri, quase perdi o ar e cheguei ao porto em cima do horário. Tinha me despedido de Eli, boa companhia de um dia.


O Cristo Pantocrator na capela-mor do Duomo de Monreale e os detalhes de mosaicos na igreja

O cara do lugar das bagagens ainda estava lá, tranquilo. O Cosme, gente boa. Sentei e fiquei batendo um papo com ele, tomando fôlego. E, pasmem, ele me deu uma carona ate a casa de Felippo. Era longe, ia ser um transtorno chegar.

Filippo e Bruninho, ainda menino de colo. Linda família que me acolheu em Palermo

Filippo é ótimo, viajou o mundo todo. Ele e sua família - esposa, filha e o pequeno Bruninho, de quatro meses. Uma gracinha. Eles me receberam muito bem, jantamos um tortelline com funghi e depois couve-flor com azeite. Delicioso. E organizei minha viagem, finalmente comprei as passagens para Atenas e depois Cairo. Iria fazer uma loucura e passar a noite no aeroporto Fiumicino, em Roma. Resolvi tomar jeito e usar a forma mais fácil. Chego na noite de quinta em Atenas. A viagem está chegando ao fim.

Viagem que vou contando aqui passo-a-passo. Vocês estão sendo usados, lembram? Mas agora preciso desligar o Mac que estamos chegando em Cefalu, um belo lugar perto de Palermo. Olha eu correndo de novo.

Beijo,
Murilo

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dia 14: a voz do papa

Duas semanas na Itália (28/02). Um dia católico, com direito à missa do Santo Padre. Acordei, arrumei minhas coisas e bora bater perna. Difícil se locomover por aqui. Um tempão esperando o ônibus, mais um tempão esperando outro. Mas vá lá, paciência, fiquei no aguardo. Conversei com uma velhinha romana no ônibus, que me deu as dicas para chegar ao Vaticano. E lá cheguei, tinha uma fila enorme para o museu, então fui direto à Piazza San Pedro. Enorme e cheia de gente. Interessante entrar na Cidade do Vaticano, com status de outro país. Vi a guarda suíça, com aquelas cores engraçadas, as bandeiras amarela e branca do Vaticano e, claro, o Papa.

O papa é pop. E aparece todo domingo nesta janelinha

Mas, antes, a Basílica de São Pedro, linda vista de frente mas ainda mais exuberante por dentro, e o obelisco no centro da praça. Fiquei matando hora até que, no meio dia, o Papa deu as caras. A missa dele é bem gostosa, ele com a voz tranquila falando em italiano. No final, agradece a presença de todos e diz que está orando por cada povo. Ele citou os chilenos e, só a noite eu fui saber do terremeto que teve por lá. Abençoei alguns terços que estou levando para o Brasil.


A legião de fãs do Papa, na Piazza San Pietro

Aí caí na fila para conhecer a Basílica. Comprei um áudio-guia com a explicação de toda a igreja, mas não tenho muita paicência para ouvir tudo. Vi, na entrada, a Pietà, outra escultura famosa de Michelângelo. Belíssima. Mostra Maria de rosto cândido com Cristo morto no colo. Muito lindo.


Pietá, de Michelângelo

A igreja é a mais bela que eu já vi. É enorme, como se fossem várias igrejas no interior de uma. Capela para isso, capela para aquilo. Túmulo de rainhas e santos. O altar, magnífico e enorme. Na parte de baixo, as tumbas de vários papas, entre eles, o Papa João Paulo II, o túmulo mais visitado, e os restos mortais do apóstolo Pedro, o pai da Igreja Católica.


Uma das várias cúpulas da Igreja das igrejas

Da Basílica fui ao museu, que estava fechado. No começo da manhã a fila era tão grande que contornava o Vaticano, é que no último domingo do mês, a entrada é gratuita. Eu não fui, nem daria, senão não veria o papa. Mas preciso ir lá, embora tenha que desembolsar 15 euros. É no museu que está a Capela Sistina, com os afrescos de Michelângelo, como a Criação da Adão, entre outros. Vou amanhã, quiça mais tranquilo.


Até logo, grande igreja. Hora de bater perna

Aí fiquei me enrolando. Dei uma volta aqui, e acolá, busquei na internet o endereço onde Lorenzo, meu CS de Roma, estaria. Ele é ator de teatro e estava ensaiando. Cortei parte da cidade com o mapa na mão e fui ver o ensaio de Lorenzo. Um drama interessante, achei bom ficar vendo e depois ouvir a crítica do diretor.



Lorenzo, o ator italiano, ensaiando para a próxima peça

Agora mangiamos uma pasta napolitana. Bem bom. Lorenzo e a esposa saíram para ver um amigo, mas eu preferi ficar em casa, me organizar para amanhã e tudo mais. Quero ver o Coliseu e La Fontana de Trevi, o Pantheon, entre outras coisas. E vamos que vamos que as férias estão acabando, hehehehe.

Beijos para vocês, vamos nos falando.

Murilo

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Terça-feira. A ilha dos moais tombados

O clima estava belicoso na Ilha de Páscoa por volta de 1680. Devido ao desastre ambiental iniciado cerca de dois séculos antes, o poder dos chefes ruiu, a sociedade entrou em guerra civil e os clãs começaram a derrubar os moais uns dos outros. O árduo trabalho de séculos para esculpir, transportar e levantar estas estátuas gigantes foi a baixo em pouco anos. A tragédia é visível em uma viagem pela costa sul da ilha, passando de ahu em ahu e encontrando dezenas de moais com a cara voltada ao chão com seus pukaus alguns metros distantes, como um chapéu levado pelo vento.

De cara no chão. Pela costa Sul da ilha, vários moais tombados

Em meu terceiro dia na ilha, o plano era alugar uma bicicleta e pedalar até o vulcão Terevaka. Fui ao centro e perguntei para a moça sobre o valor do aluguel quando ouvi ao meu lado: "Murilo?" Era a australiana Sophia, escondida atrás dos óculos de aro grosso. Falante, ela conhecera um casal italiano e estava alugando um carro com eles. Mudei meus planos.

Novos amigos: Sophia, Francesca e Guido

Recomendo o roteiro para quem quer conhecer boa parte da ilha de forma rápida. Em quatro pessoas, alugue um carro e siga pela costa sul em direção ao vulcão Poike. De parada em parada, vemos ahus destruídos e moais derrubados – antes da restauração promovida pelo Chile, todos eles estavam no chão. O primeiro é o Vinapu, cuja perfeição do ahu, com pedras justapostas, chegou a ser comparada à arquitetura inca. Discordo. Nem de longe um ahu se parece com, por exemplo, o templo de Sacsahuaman, em Cusco.

Desastre ambiental

A Ilha de Páscoa reúne uma serie de fatores ambientais que fazem do local um dos mais sensíveis do planeta. Antes da chegada dos primeiros humanos, por volta de 900 d.C. (a data é bastante incerta), a ilha era uma floresta tropical, com árvores parrudas de mais de 20 metros de altura e dois metros de diâmetro e a maior palmeira do mundo, bem diferente dos campos com morros pelados que encontramos hoje.

Nas guerras civis, os Rapa Nui derrubaram moais uns aos outros

Foi principalmente a construção dos ahus com seus moais que dizimou os recursos naturais da ilha, extinguindo todas as 21 espécies de árvores nativas e as 25 espécies de aves que nidificavam lá, fazendo de Páscoa um dos maiores desastres ambientais da história. As árvores eram usadas em canoas, cordas, estruturas de construções, lanças, arpões e como combustível para a cremação. Sem a matéria-prima e em decadência, caiu por terra a antiga integração entre os 12 clãs que permitiu a prosperidade da ilha no passado. E os moais também vieram abaixo.

Ao longo da costa, moais e uma paisagem alucinante

Seguindo pela estrada, além do cemitério de moais, o estonteante mar azul toma conta da paisagem até avistarmos, à esquerda, o vulcão Rano Raraku. É a segunda parte do Parque Nacional, onde novamente apresentamos o ticket. Depois da entrada, pegamos uma estradinha até uma bifurcação e seguimos pelo caminho da direita. Estávamos na fábrica dos moais.

Uma oficina abandonada

O tufo vulcânico do Rano Raraku - nem tão duro, nem tão poroso - é perfeito pra ser esculpido. A estátua era delineada diretamente na rocha, depois talhada deixando apenas uma quilha que a mantinha presa ao vulcão. A quilha era removida, o moai descia ladeira abaixo e era colocado em um fosso onde tinha suas costas esculpidas. Depois disso, ele tinha que ser levado por quilômetros até o seu ahu em várias partes da ilha. Como isso foi feito ainda é um mistério.

A oficina dos moais, alguns sequer foram retirados da rocha

Em toda Ilha de Páscoa foram construídos 887 moais, 288 deles foram transportados e levantados sobre 113 dos 300 ahus construídos. Outros 92 moais ficaram no caminho, antes de chegar ao seu ahu. O mais incrível, no entanto, são os 397 moais que foram abandonados aos pés do Raraku, tomando conta da paisagem. Outros sequer foram retirados da rocha, como o maior moai da ilha, de 21,65 metros e possíveis 200 toneladas!

Os 15 homens de Tongariki. Voltaríamos ali no outro dia

O circuito pelos moais esquecidos dura uma meia hora. Vale a pena apreciar a vista do mar, o vulcão Poike, ali pertinho, e o Ahu Tongariki, nossa próxima parada. Mas, no caminho de volta, não deixe de pegar aquela entrada à esquerda, na bifurcação. Ela leva até a cratera do Rano Raraku, bem pertinho. É muito bonita, com seus 550 metros de diâmetro, e uma árvore sob a qual você pode se sentar e comer um lanche.



Saindo do Raraku e seguindo em direção ao Poike, descemos até o Ahu Tongariki, o maior da ilha. Ficamos pouco tempo, no outro dia voltaríamos ali. Contornamos o vulcão - talvez minha maior frustração na viagem foi não ter subido os 412 metros do velho Poike, ter visto o mar no extremo leste da ilha e a cratera de 150 metros de diâmetro, 15 de profundidade e totalmente seca.

A cratera do Rano Raraku. Bom lugar para dar uma descansada

A estrada segue pela direita e fica bem ruinzinha neste trecho. A única parada obrigatória é o Ahu Te Pito Kura cujo moai, o Paro, com seus 9,8 metros de altura e 74 toneladas de peso estimado foi a maior estátua que chegou a um ahu. Foi também uma das últimas, eregida em 1640, provavelmente por uma mulher que queria homenagear o marido. Veio ao chão 200 anos depois. Contorne o ahu pela direita e veja o Te Pito o Te Henua (“o umbigo do mundo”), uma pedra redonda que, dizem, tem propriedades magnéticas. Toda ilha polinésica tem o seu umbigo.

O gigante moai Paro e o umbigo do mundo

Terminanos a estrada ruinzinha novamente em Anakena. Apreciei mais uma vez aquele mar azul, os coqueiros, os ahus Nau Nau e Ature Huki. Peguei a primeira das três porções de águas que coletaria de Páscoa par minha coleção. Comemos uma empanada com Coca-Cola e voltamos, exaustos, para Hanga Roa. Minha aventura com os italianos e com a australiana não acabava ali.

Corinthians x Universidad Católica del Chile

O dia só poderia acabar com meus amigos Rober, Nacho, Vianca e a pequena Amanda. Separei-me da nova turma e encontrei os chilenos em frente ao Ahu Ko Te Riku  no complexo Tahai. Teria um eclipse solar parcial aquele dia. Não me empolguei muito em fazer fotos, mas foi bom ver os amigos e aquela gente - locais, continentais e turistas - sentada na grama, olhando para cima. Parecíamos os antigos Rapa Nuis idolatrando os moais.

De novo em Tahai e de novo com os amigos

Voltei com eles para casa de Nacho e conheci o Completo, um cachorro-quente com tudo que tem direito e coberto por, pasme, abacate. Gostei. Nacho queria jogar PES 2012 no Playstation 3, um de seus vários brinquedinhos. Queria vencer um brasileiro no futebol. Sugeri jogarmos com nossos clubes e, como eu sou péssimo nos jogos de futebol no videogame, meu Timão tomou um pau do Univesidad Católica do Chile: 3 a 0. Depois joguei com Lev, um amigo deles, abri 1 a 0, mas o filha da mãe virou em  3 a 1. Lev comemorava como a "mãozinha", imitando nossos jogadores brasileiros e seus passos de axé quando marcam um gol. Hilário.

Comer um completo para depois tomar um pau no PES 2012

No fim da noite ainda fizemos um meeting do CouchSurfing. Tomei um Pisco Sauer com meu amigo Rober e fomos à casa de uma chilena que está na comunidade. Fizemos fotos com uns espanhóis, ficamos vendo as estrelas, mas eu estava com sono. Acordaria muito cedo no outro dia e queria dormir. Fiz isso, às 2h da madruga.

domingo, 21 de outubro de 2012

Dia 13: 29 anos em Firenze

Oi pappa, oi mamma, tudo bem?

Décimo terceiro dia de Itália (27/02). Dia de meu aniversário. Se passei a entrada nos 28 aninhos em Lima, o primeiro dia de meus 29 começaram em Firenze e terminam em Roma. Um dia com as curvas de Davi, uma viagem de trem muito estranha e amigos romanos me desejando parabéns. Só do Brasil, não veio nada. Ninguém me ligou (fiquei esperando o dia todo o celular tocar...)



Mas bem, a vida segue. Acordei hoje disposto a aproveitar o aniversário. Como só encontraria meu CS de Roma no final do dia, acabei me enrolando para deixar Firenze. E aproveitei isso. Bem, na verdade, os 29 anos começarm um pouquinho antes, em uma festa na faculdade de agrárias da Universidade de Firenze, no meio de um monte de estudantes estranhos. Estes europeus são malucos. A festa estava bem boa, fomos com umas amigas do Vanni, fiquei dando indicações, em italiano, de como não deixar embassar o vidro do carro. Na festa, dancei bastante. Recebi de meu amigo fiorentino o primeiro parabéns da cidade. E a banda tocou a tal "Cacao meraviglao", hehehhe.

Os italianos tiram sarro de nosso "ão". Eles dizem que para imitar os brasileiros basta falar o "ão" no final das frases. Mas eles não conseguem falar “ão” daí sai "ao". Aí, lá na década de 70 ou 80, não lembro, fizeram uma música tirando sarro de como o português brasileiro soa para os italianos. É muito trash e brega, enfim, é de época. Mas engraçada. No youtube, dá para ver aqui. Recomendo.

La mamma `e il piu bel fiore nel giardino della vita

Bem, fomos dormir e acordei bem hoje de manhã. Ajeitei minhas coisas e fui bater perna. Queria fazer um aniversário bacana. Dia de sol, passei por uma loja e vi uma plaquinha que era a cara da mãe. Tirei a foto, depois te mostro [na verdade eu comprei a plaquinha para mãe, mas não falei isso no e-mail, a frase é “La mamma `e il piu bel fiore nel giardino della vita”]. Aí parei para tomar um cappuccino e um croissant de aniversário. E uma tortina para cantar parabéns. Fui até a Piazza de Santa Cruce, solzinho gostoso, cheio de turistas. Fiz ali o ritual do parabéns [o mesmo que fiz em Lima, um ano antes. Veja aqui]. Pronto, já tenho 29 anos. Bora ao que mais importa no dia, as curvas de Davi.



Fui cruzando a cidade deste a Santa Croce até a Galleria dell'Academmia. Já nem preciso de mapa, só olhar para cima buscando o Duomo, seguir em direção a ele, depois em direção ao Palácio dos Medici, me orientando pela igreja de San Lorenzo, viro uma a sinistra (esquerda) e outra a destra (direita). Pronto estou ali.

Última caminhada por Firenze no dia de meu aniversário 

Estava naquela mesma euforia de quando vi O Nascimento de Vênus, de Botticelli. Queria ver logo Davi. Mas fiquei desfrutando a expectativa. Tinha uma mostra de quadros de pintores menores do Trecento e do Quatrocento. Fiquei admirando, analisando, lendo a legenda. Então, uma sala de esculturas, a sala do Colosso. Com quatro obras inacabadas de Michelângelo, que ornariam o túmulo de um papa, não lembro qual. E, de repente, viro o pescoço e lá estava Davi. Tomei um baita susto. A estátua mais importante da história da humanidade, ali, e eu de bobeira.

Analisei um pouco mais as outras esculturas enquanto caminhava em direção ao Davi. Lindíssima, depois dela não é precivo ver qualquer outra escultura. A perfeição das veias na mão, a proporção dos músculos, a forma como ele se apóia sobre a perna direita. O olhar fixo para esquerda, de onde, na lenda grega, vem sempre o ataque. É o momento em que prepara a pedra na funda para atirar em Golias. O pé esquerdo, se prepara para o movimento, ele mudaria o peso do corpo no próximo lance. Na mão direita já tem a pedra escondida, na esquerda, segura a ponta da funda.

Davi, de Michelângelo, a escultura em sua quintessência

Michelângelo trabalhou mais de dois anos para fazer a célebre estátua. O mármore, cedido da Igreja de Santa Maria del Fiore, o Duomo fiorentino, tinha sido recusado por outros escultores, entre eles o mestre Da Vinci. Mas o maior escultor da história não deixou passar e criou sua obra prima. Em Roma, vou ver a Pietá e o Moisés, outras obras dele. Mas depois de Davi, nem precisaria.

Outra caminhada e as estátuas dei Uffici

Aí vi outras estátuas e outros quadros. Almocei um panino com carne de porco e vinho tinto em uma bodega pequena de dono simpático. Dei mais uma volta pela feira da piazza San Lorenzo, conversei com um brasileiro. Estava meio em clima de despedida. Atravesei a cidade novamente, passando mais uma vez pelo Duomo e seguindo em direção ao Rio Arno. A Piazza dei Signoria sempre apinhada, a Piazza dalla República, música ao vivo com uma moça de voz linda. Consegui chegar ao rio e pegar a água [minha coleção]. Tinha uns treinos de canoagem lá, mas eu não tinha tempo.

Corri arrumar minhas coisas. Me despediria de Firenze. Dei um abraço em Donna Rita, que me desejou boa viagem. Vanni me acompanhou até a estação. No trem, um pouco de leitura e dificuldade para dormir. Estava meio dormindo-acordado e as vezes olhava para uns americanos sentados ao lado e, meio sonâmbulo, falava umas coisas nada a ver. Eles riam e eu voltava dormir.

Em uma das paradas quase fiz das minhas. Sou um sobrevivente a mim mesmo, repito sempre. O trem ia demorar para sair, eu corri para comprar uma coisa para comer. Demorei para pagar e quando voltei a porta já estava fechada. Apertei um dispositivo de emergência e abri a porta à força. O trem começou a sair em seguida. Ufa.



Cheguei cansado a Roma. Lorenzo, meu novo CS, ia me receber na estação as 21h40. E lá estava ele, de carro com a namorada. Demos um giro pela cidade e fomos comer uma pizza em um lugar bem disputado. Pizza boa e barata. Fiquei conversando com os dois e mais um casal de amigos. "É seu aniversário", disse Lorenzo me cumprimentando. Brindamos, lembrei-me mais uma vez da data querida, que as vezes a gente exagera (é um dia como outro), mas que é bom ter como dia só nosso.

E foi assim que terminei meu dia, com pizza em Roma. Agora estou sentado no chão da casa de Lorenzo. Muito bacana a casa e o couch (sofá) é enorme - mais confortável que a cama lá do Vanni, hehehe. Amanhã (hoje) é domingo, tenho que saber quando o papa reza a missa para ir assistir. Vou dar uma pernada lá no Vaticano. E conto para vocês.

Beijos, vou dormir.
Murilo

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Dia 12: nella Piazza dei Miracoli, o esplendor de Pisa

Oi paizão, oi mãezinha

Décimo segundo dia na Itália (26/02). Pisa é mais do que uma torre. E sua praça principal, mais ainda. A Piazza dei Miracoli, onde está o Duomo de Pisa, o batistero e, claro, a torre, é linda. Toda verde, como um campo e com as três construções. Cá entre nós, a torre nem é lá a mais interessante.

A Torre e a igreja. O dia seria em Pisa

Hoje fiquei me enrolando para saber o que fazer. Não queria viajar no dia de meu aniversário (odeio a incerteza de uma viagem, gosto de estar na cidade, com minha bagagem em algum lugar que não nas minhas costas), queria, pois, viajar hoje a noite para Roma. Mas aí o dia seria curto. Fiquei me enrolando de manhã, para sair. Dei um pulo até a estação para ver os horários de trens. Vou ou não vou a Pisa. Me enrolei.

A bizantina Santa Maria della Novella, após uma manhã chuvosa

Fui então a uma igreja, a Santa Maria della Novella, uma bizantina, muito bonita por dentro. Fiz boas fotos. Após uma chuvinha chata no início da manhã, fez sol e calor. Ótimo. Fui almoçar com Vanni e uns amigos da faculdade de arquitetura. Almoçar, humm, delícia. Esperava sentar e comer umas saladas, algo saudável. O cardápio foi um lampredotto, uma espécie de buchada de vaca (la ultima parte del intestino della mucca) no pão. Diz o Vanni que é comida comum em Firenze. Ao menos entre os estudantes deve ser, heheeh.

 Pela manhã, chuva em Firenze. E eu me enrolando...

Mas aí deixei de enrolar. Objetivo, fui à estação, comprei o biglietto e bora para Pisa. Uma hora de viagem, tempo para lhes contar como funciona o sistema de trem aqui. É fácil, fácil. Compra o bilhete na máquina, valida (convalidare) e pronto. Só tome cuidado com la linea giala, heheeh. Na estação fica um cara falando os horários dos trens e sempre no final diz: Attencione, allontanarse della linea gialla! (atenção, afastar-se da linha amarela!). Eu rio cá dentro toda hora que ouço e repito o linea giala mentamente.


Na viagem entre Bologna e Firenze, uma explicação breve sobre o sistema de trem

Bem, tem os trens barateiros, os chamados regionais, e os mais caros, da Fressarossa. Amanhã, por exemplo, para ir para Roma, eu posso escolher entre passar quatro horas no regional ou uma hora e meia no Fressarossa. Um custa 15 euros, o outro 45. Já estou esperto para pegar trem. Olho para os horários de partida, vou na máquina, busco meu destino, coloco o dinheiro no buraquinho, pego o troco, "convalido" em outra maquininha (é muito importante), e sigo meu rumo.


Em Pisa, um dos melhores CS da viagem, o grande Isaía que me deu uma aula sobre a cidade

E foi assim que cheguei a Pisa. Tinha escrito para outro CouchSurfing se ele tivesse afim de um café em Pisa. É uma outra modalidade, de CS, vc não hospeda nem fica na casa dos outros, é só coffe or drink, ou seja, sair para fazer alguma coisa. Um CS de Pisa, o Isaía, tinha alguns minutos antes do trem dele, para Bergamo, onde mora a sua família - ele está em Pisa estudando Matemática. Mandei uma mensagem de celular, confirmando o horário, atravessei a cidade de Pisa cruzando o Rio Arno que também passa por ali, e lá estava Isaía me esperando na Piazza dei Miracoli. Passei por ele várias vezes até que liguei para o celular e ele, ali pertinho atendeu.

O majestoso Arno, que também passa por Pisa antes de desaguar no Mar de Ligure

O cara é muito gente boa, me mostrou, por exemplo, alguns detalhes da igreja. Bem, todas as construções são lá de 1000 e alguma coisa e foram feitas em uma área pantanosa. A igreja também tem uma parte que é torta. E ela é interessantíssima, sua construção começou em 1064 com mármore de outras igrejas e construções - você vê nitidamente a diferença do mármore; em algumas partes tem até inscrições da outra construção [ela foi construída sobre outra igreja, de 1006. As obras pararam em 1095 por falta de verba e só foi consagrada em 1118]. Em um desses mármores importados, tem um monte de pontinhos dourados: diz a lenda que é impossível contar duas vezes o número de pontinhos e a pessoa que conseguir fazer isso é levada pelo diabo, hehehehe.

Detalhe do mármore da igreja. Consegue contar os pontos?

Outra história interessante é que a igreja foi construída bem junto ao muro da cidade. De fato está lá, o muro, o portão, e a igreja, no final da cidade. É estranho, porque os duomos (igrejas) são, normalmente, construídos no centro das cidades. Bem, Pisa tinha uma relação difícil com a Igreja Católica e usou seu duomo mais como escudo so ataque do povo de Lucca, uma cidade próspera na época (e também muito linda, pena que não vou conhecer) vizinha a Pisa.

O batistério, a igreja e a torre. Trindade óbvia dei tutti piazzi

Mas então, a torre. De fato ela é inclinada, bem inclinada. Mas já foi mais. Para impedir que ela caísse, fizeram o seguinte: colocaram uma máquina que ia retirando lentamente a terra do pé da igreja, para ela voltar aos poucos e reduzir a inclinação. Ela poderia cair se tivessem deixado a inclinação anterior. Ela é bonita, toda branca. Mas não subi não, pô 15 euros para subir numa torre? Nem, deixa para os turistas chineses. Eu fiquei por lá, caminhando, e rindo do pessoal que fazia aquelas fotos de segurar a torre com o pé ou com as mãos. Eu não.

A igreja majestosa e a torre, na Piazza dei Miracoli

Tá, vá lá. Dei umas voltas e fiz umas fotos bem legais, e, em uma, imitei o Michael Jackson naquele clipe que ele se inclina para a frente, meio para ficar igual a torre. Mas segurar com as mãos? Isso não.

Brincadeira com sombras, aproveitando a iluminação da igreja

Aí tomamos um café, especialidade de Pisa. Putz, esqueci de anotar o nome. Era um cappuccino com alguma coisa por cima. Não sei. Fui até outra igreja piccollina, esta de 1080, muito bonitinha. Toda de tijolinho a vista. O Isaía foi pegar o trem e eu fiquei lá na igrejinha. Uns músicos começaram a ensaiar umas músicas clássicas. Fique assistindo o ensaio, muito legal. Aí voltei para a Piazza.

 Ensaio musical em igreja medieval. A trilha de sonora de um ótimo dia (ouça um pouco aqui)

Fiz um monte de fotos com o tripé, da torre a noite. Muitas ficaram bem boas. Aí estava andando e vi duas mulheres conversando e uma dando aulas sobre a igreja. "Scusa signora, Io sono ascultato, posso farLa una domanda". E comecei a conversar com as duas, ela era uma professora e mostrou outras curiosidades da igreja. No tempo em que ela foi construída, Pisa era uma das principais repúblicas marinaras, ao lado de Gênova, Veneza e Amalfi. Daí, o esplendor e tanta riqueza. No caso de Veneza, ela continua vendendo aquele glamour de festas e carnavais. Pisa vive da torre... (brincadeira, Pisa é una cidade universitária).

Igreja a noite. Uma pena que não pude entrar...

Aí voltei para Firenze. Comi um MacDonalds no trem de volta enquanto ouvia dois africanos conversarem alto e um mexicano dormia na poltrona de trás. E agora, arrumo minha bagagem para chegar, finalmente, à Cidade Eterna.

Beijão,
Murilo

sexta-feira, 30 de março de 2012

Dia 1: Na casa de Tommy

Oi mamma, tudo bem? Pela primeira vez, este "mamma" tem razão de ser. É o meu primeiro dia na Itália (dia 15/02). Estou em Milano, numa noite fria, entre vários amigos. Estou na casa de Tommy, Élio e Mário, três estudantes muito gente boa aqui de Milano. Eles acabaram de preparar uma bela cena, com direito a um delicioso vinho. Está meio frio e os caras deixaram o vinho na sacada para dar uma esfriada. Tudo muito bom para um dia cansado. Te conto por quê.

O voo de Foz a São Paulo deu uma atrasada. De São Paulo a Madri atrasou bastante também. O voo não foi dos melhores, nem se compara com a KLM que faz conexão em Amsterdam. Tinha muito criança e a gente pode definir a qualidade do voo pela quantidade de miudos que está nele. Mas vá lá, conheci a Cristina e a Camila, que me deram outras boas sugestões da Itália.


No início da viagem, Itália era só passagem. Depois resolvi explorar um pouco mais, chegando a Milano e descendo ao Sul do país. Agora quero conhecer também o Norte. Acrescentei Verona e Venezia. Vou ficar menos tempo na Grécia.

Frio no interior do Duomo e quadros belíssimos expostos

Aqui, está ótimo. Passei um pouco de frio a tarde e tive que carregar todas as malas o dia todo. Mas valeu a pena. Conheci o Duomo, uma igreja enorme e linda. Lindíssima. Depois subi a torre do Duomo. Quando o guarda me viu com as duas malas gigantescas perguntou: "Sicuro?". Cheguei bufando lá em cima, com as pernas bambas. Depois dei umas bandas. Andei um monte até me encontrar com Tommy e sua turma, na estação de metrô, no alto de uma curiosa escada musical.

Il Duomo di Milano no primeiro dia na Itália

O cara representa o que há de melhor do espírito CouchSurfing. Como viajante, ele sabe o que viajantes precisam. Foi muito atencioso, apresentou os amigos e cedeu o quarto e a cama para eu dormir. Passei toda a janta ouvindo esta italianada falando bem rápido (até que entendi alguma coisa). Estou falando em italiano com eles, quando não entendo algo, pergunto em espanhol. O Tommy insiste em conversar comigo em espanhol, o que dificulta o aprendizado. Conversamos bastante sobre as diferentes regiões da Itália, seus distintos acentos e costumes, e eles me deram mais dicas de lugares para conhecer. Vou ter que rifar a Grécia.

Cena italiana entre amigos: Clara e Cammy na casa de Tommy, Élio e Mário

Amanhã já tô com o roteiro montado. Os lugares que valem a pena conhecer em Milano. Depois de amanhã, vou ver "A Última Ceia", de Da Vinci. Aí quero ir para Verona ou Venezia. Estava meio preocupado hoje a terde, carregando as malas pesadas de lá pra cá, sem lenço, nem documento. Mas com a recepcão tão calorosa desses amigos italianos, me senti de volta em casa. Isso é bom, um aprendizado para saber o bem que fazemos ao receber as pessoas em casa.

Bem, vou indo dormir. Agora já passa de uma da manhã por aqui. Amanhã tem coisa para fazer.

Beijo pra vc e pro pessoal.

Arrivederci,

Murilo